É uma capa que vai ficar para a história: três filas com 35 mulheres sentadas em cadeiras, umas ao lado das outras, a preto e branco. A imagem com que a New York Magazine se apresenta na edição desta quinzena é o espelho das 13 páginas onde a revista conta as histórias das 35 mulheres que afirmam ter sido violadas pelo ator e comediante norte-americano Bill Cosby.

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As histórias começaram a surgir no início dos anos 2000 e até à data cerca de 40 mulheres acusaram o ator de violação. Contudo, é a primeira vez que surgem em conjunto.

No início de julho, a Associated Press divulgou documentos onde Bill Cosby admitia ter drogado com três comprimidos uma mulher em 2005, para ter relações sexuais com ela. Os documentos pertenciam a um processo judicial que ocorreu em 2006 e que culminou num acordo entre as partes. Não foram especificados os termos do acordo e Bill Cosby ainda não foi acusado de nenhum crime pela justiça norte-americana. Em declarações públicas, nega todas as acusações.

Barba Bowman é uma das mulheres que conta a sua história à New York Magazine. Diz ter sido violada quando tinha 17 anos por aquele que era “o pai preferido” da América. “Achei que ele ia ser meu pai. Acordar meio despida e violada por um homem que disse que me ia amar como um pai? É muito doente”, referiu.

“Senti-me uma prisioneira. Senti que tinha sido raptada. Eu podia descer qualquer rua de Manhattan e dizer ‘Eu estou a ser drogada e raptada por Bill Cosby’, mas quem é que acreditaria em mim? Ninguém, ninguém”, disse Barba Bowman.

As histórias são semelhantes entre si: as mulheres afirmam que foram drogadas depois de terem bebido vinho e que não conseguiam controlar o que se passava nas horas seguintes. Não tinham forças para lutar. No final, muitas afirmam que se sentiam impotentes face à dimensão da fama e da reputação do homem que acusavam, conta o The Telegraph.

A maior parte destas alegações ocorreu há vários anos – nalguns casos ocorreu há décadas – e por isso já prescreveram, o que impossibilita que Bill Cosby seja acusado pelos tribunais e condenado, caso se comprove a veracidade das alegações.

A história não tem deixado nenhum norte-americano indiferente. Confrontado por um jornalista sobre as acusações a Bill Cosby, Barack Obama afirmou que “se dás droga a uma mulher ou a um homem, sem o seu conhecimento, e tens relações sexuais com ele ou ela sem consentimento, então trata-se de uma violação”.