O Ministério de Segurança Pública da China confirmou hoje que o armazém no porto da cidade de Tianjin, onde na passada quarta-feira se deram enormes explosões, continha pelo menos 3.000 toneladas de cerca de 40 produtos químicos perigosos.

Em declarações reproduzidas hoje pela emissora pública CCTV, o subdiretor do departamento de bombeiros do Ministério de Segurança Pública, Niu Yueguang, explicou que, dado que o armazém ficou destruído, ainda não foi possível averiguar as quantidades exatas que continha.

Entre estas 3.000 toneladas, 800 eram de nitrato de amónio, 700 de cianeto de sódio e outras 500 de nitrato de potássio, detalhou Niu.

Em conferência de imprensa hoje, o chefe do grupo de emergência do gabinete de proteção do meio ambiente de Tianjin, Bao Jingling, disse que os restos de cianeto “podem” ter chegado aos edifícios residenciais próximos do porto, onde se deram as explosões.

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Bao anunciou que vão ser enviados especialistas para limpar a zona e alertou para a toxicidade destes resíduos.

O funcionário explicou também que os pontos de controlo da qualidade do ar não detetaram nenhum novo poluente desde segunda-feira e que os que existem se encontram dentro dos níveis considerados “seguros”.

As chuvas que se registaram em Tianjin nas últimas horas acentuaram a preocupação em relação a uma possível contaminação da zona, perante a possibilidade de a água da chuva provocar uma reação química com o cianeto que se encontra na zona onde se deram as explosões, ou que este se disperse.

Bao assinalou que as equipas de limpeza vão reforçar o isolamento da zona do porto e que vão tratar a água da chuva com produtos químicos para neutralizar as reações.

As autoridades municipais disseram ainda que estão a estabelecer diferentes categorias entre os afetados para, assim, os poderem compensar de acordo com os danos que sofreram, “o mais rápido possível”.

O Tribunal Supremo Chinês já anunciou uma investigação para apurar possíveis negligências por parte da empresa detentora dos contentores.

Ainda não se sabe o que causou as explosões mas a hipótese mais forte é que se deveram ao contacto dos produtos químicos com a água usada pelos bombeiros para apagar um incêndio que havia deflagrado previamente.

Responsáveis foram detidos

O presidente e o vice-presidente da empresa chinesa Ruihai International Logistics, proprietária do terminal de contentores onde se deram enormes explosões na passada quarta-feira, na cidade de Tianjin, foram hoje detidos, anunciou a emissora CCTV.

As explosões causaram, pelo menos, 114 mortos e dezenas de desaparecidos.

Mais de 100 soldados do exército chinês e membros das equipas de resgate que trabalham na zona homenagearam hoje as vítimas da tragédia, numa altura em que se teme que as chuvas previstas para hoje possam fazer dispersar o cianeto de sódio que estava armazenado nos contentores, danificados pelas explosões.

Na passada quarta-feira à noite uma enorme explosão em contentores de armazenamento de químicos, incluindo cianeto de sódio, abalou a cidade. Partes da cidade foram evacuadas devido a receios de propagação de químicos.

Ainda não se sabe o que causou as explosões mas a hipótese mais forte é que se deveram ao contacto dos produtos químicos com a água usada pelos bombeiros para apagar um incêndio que havia deflagrado previamente.

Também não se sabe se a Ruhai International Logistics tinha licença para armazenar estes químicos perigosos, já que a autorização de 2012 não contemplava esta opção, ainda que fontes do Governo local tenham dito na sexta-feira que a licença foi “redefinida” mais tarde.