O líder parlamentar do BE, Pedro Filipe Soares, criticou hoje a “trapalhada” na colocação dos professores e o “mau arranque” do ano escolar, acusando o Governo de ter atrasado o início do ano escolar para tentar precaver problemas.

No Porto, à margem do segundo dia do fórum Socialismo 2015, a rentrée política do BE, Pedro Filipe Soares foi questionado sobre os dados conhecidos sexta-feira, de que cerca de 22.000 professores que concorreram a um contrato nas escolas da rede pública ficaram sem colocação.

“Nós tivemos o Governo a adiar uma semana o início do ano letivo exatamente para tentar precaver problemas e mesmo assim a trapalhada mantém-se”, disse, recordando que a “trapalhada no ano passado, o pior ano de que há memória de início do ano letivo”.

De acordo com o deputado bloquista, foi feita a contratação de docentes, “deixando esse enorme número de professores de fora, sabendo que ainda vão despedir mais a seguir porque contrataram de forma não pensada, não racional, apenas e só como um ato preventivo para início do ano letivo”.

“O ano letivo já está a ter um mau arranque com toda esta instabilidade no corpo docente, com o atraso de uma semana, que provou também não ter aprovação por parte dos pais e com esta perspetiva de que o Governo está a governar para si próprio, para tentar através deste adiamento prever, precaver e minorar problemas que possam existir”, condenou.

Esperando que a trapalhada “não seja maior do que esta que já se instalou”, Pedro Filipe Soares deixa a fórmula que o Governo deveria ter seguido: “ter o início do ano letivo na data normal, com os professores colocados e com os alunos a terem aulas”. “Não há escola sem alunos, mas também não há escola sem professores e professores motivados. Esse foi um grande ataque que o PS fez ainda no Governo e que esta maioria garantiu que seria tornado perene no tempo”, sublinhou.

A bandeira do medo

Apontando baterias ao PSD, CDS e PS, o líder parlamentar bloquista afirmou que os maiores partidos agitam “a bandeira do medo” para se legitimarem “como o menor dos males”. “A ideia que existe da parte da maioria é o medo a todas as alternativas que não as suas escolhas. Do lado do PS é o medo de que a maioria continue no poder”, disse depois aos jornalistas.

Na opinião do deputado bloquista, “quem agita a bandeira do medo fá-lo para se legitimar a si próprio como o menor dos males”. Pedro Filipe Soares destacou o facto de não haver nenhuma proposta positiva quer do lado da maioria, quer do lado dos socialistas, uma vez que “ambos prometem cortar salários e ambos prometem ter os impostos nos valores mais elevados de sempre”.

“Quando ambos têm estas promessas é uma campanha eleitoral muito diferente daquela que nós tínhamos no passado. Já não prometem melhoria da vida das pessoas, apenas prometem serem menos maus uns do que os outros”, enfatizou.

Na opinião do líder da bancada parlamentar do BE, os portugueses “não estão condenados a viver nivelados por baixo, nem a perder constantemente rendimentos dos nossos bolsos”. “É essa a promessa de PSD e CDS, é também a promessa do PS e exatamente por isso é que eles fazem a campanha do medo”, justificou.

Pedro Filipe Soares detalhou o medo passado pelo discurso da maioria: “O medo do PS: atenção porque vêm aí aqueles que já estiveram e trouxeram a banca rota. O medo da Grécia: atenção porque se nós não fizermos isto acontece-nos o que aconteceu à Grécia. O medo de qualquer alternativa à sua ordem instituída: atenção, se mexerem aqui nós não vamos ter qualquer futuro”.

Do lado dos socialistas, o deputado do BE recorda que o PS que “dizia que era inconstitucional cortar salários, que dizia que não havia outra alternativa que não pagar salários e pensões, é o mesmo PS que agora diz que vai cortar salários pelo menos durante dois anos”.

O fórum Socialismo 2015 começou sexta-feira no Porto e vai decorrer até domingo.