Legislativas 2015

Os líderes estrangeiros que os nossos líderes admiram

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Quer saber quem são as referências internacionais dos nossos políticos? Passos, Portas, Jerónimo e Catarina Martins confessam os modelos em que se inspiram.

Mandela, Mujica, Kennedy e Churchill. Estes são os políticos estrangeiros mais admirados pelos nossos líderes partidários. Uma inspiração ou um modelo. Advinha quem é o ídolo de quem?

politicos-escolhidos-sepMandela

“Continua a ser uma grande referência”. É assim que Jerónimo de Sousa, secretário-geral do PCP, justifica ao Observador a escolha de Nelson Mandela. Foi a cara da oposição ao apartheid sul-africano, ao qual ajudou a pôr fim. Esteve preso 27 anos e foi depois Presidente da África do Sul. Uma das suas frases mais conhecidas foi proferida durante o julgamento de Rivonia: “Eu lutei contra a dominação branca, e lutei contra a dominação negra. Eu acarinhei o ideal de uma sociedade democrática e livre, na qual as pessoas vivam juntas em harmonia e com oportunidades iguais. É um ideal pelo qual espero viver e alcançar. Mas, se necessário for, é um ideal pelo qual estou preparado para morrer”.

Madiba, como também era conhecido, “nunca vacilou na sua devoção para com a democracia, igualdade e ensino”. Quem o conheceu pessoalmente descreveu-o como “um idealista sem ingenuidade”, um homem humilde e com sentido de humor. Foi Prémio Nobel da Paz em 1993, juntamente com Frederik Willem de Klerk, pelo trabalho realizado no sentido do fim pacífico do apartheid, e por lançar as bases para a democracia na África do Sul. Distinguido pela sua integridade pessoal e coragem política, mostrou que existem caminhos para sair dos ciclos viciosos da amargura e da violência.

politicos-escolhidos-sepMujica

E o ídolo de Catarina Martins, coordenadora do Bloco de Esquerda? É José Mujica que ficou conhecido por ser “o Presidente mais pobre do mundo”, quando esteve à frente da presidência do Uruguai.

Mujica, ainda jovem, juntou-se no início da década de 60 ao Tupamaro, uma organização revolucionária de ideologia de esquerda, que tinha por objetivo enfraquecer o governo repressivo do Uruguai. Foi preso diversas vezes devido às suas atividades enquanto membro do Tupamaro, e foi condenado pela morte de um polícia. Escapou duas vezes da prisão, mas foi re-capturado em ambas as ocasiões. Esteve preso durante 14 anos e foi torturado enquanto cumpria pena, chegando a estar dois anos no fundo de um poço. Só foi libertado quando a ditadura negociou o regresso a um governo democrático.

Sempre envolvido na política após ser libertado, José Mujica tornou-se Presidente do Uruguai em 2010 e cessou funções em março de 2015. A sua presidência ficou marcada pela vida simples que levava. Como o Observador já referiu, Mujica vivia no campo e doava 85% do seu salário de cerca de 10.000 euros a instituições de caridade. Destacou-se pelo seu modo de vida e pelo desprezo pelas formalidades políticas, e pelas políticas progressistas que impulsionou, e que ajudaram o país a subir nos rankings económicos, e pelas políticas sociais como, por exemplo, a legalização do casamento homossexual.

politicos-escolhidos-sepKennedy

Presidente dos Estados Unidos da América durante o período de Guerra Fria, foi o homem que resolveu a crise dos mísseis de Cuba. John F. Kennedy, à data o mais jovem a chegar ao cargo de presidente dos EUA, é a referência política internacional de Pedro Passos Coelho, presidente do PSD. Na biografia escrita por Sofia Aureliano, Passos Coelho afirma que John Kennedy foi “alguém que sabia que o mundo não muda apenas pelo poder da palavra, mas que as decisões preparadas, planeadas e suficientemente corajosas podem ser decisivas para que as coisas mudem, nem que seja a cinco ou 10 anos de distância”.

Na memória da nação que governou, Kennedy ainda inspira fascínio enquanto líder convincente e carismático durante um período de grande desafio para a política norte americana, diz o Miller Center. Kennedy foi um presidente popular, tanto nos EUA, como no estrangeiro, e os historiadores continuam a classificá-lo entre os presidentes mais amados da América.

Segundo JFK Library, Kennedy “queria ter a certeza que tomava as melhores decisões para o seu país”. Adepto do progresso, desejava que os EUA continuassem a seguir para o futuro com novas descobertas na ciência e melhorias na educação e na empregabilidade. “Queria a democracia e a liberdade para todo o mundo”. Foi ele quem criou o programa Peace Corps, que permite aos americanos voluntariarem-se para trabalhar em locais onde a assistência é necessária.

politicos-escolhidos-sepChurchill

“Churchill mobilizava os seus e despachava o inimigo”. Assim o vê quem o tem por modelo político.

Foi jornalista, correspondente de guerra, jornalista e escritor, além de pintor, estudioso e um leitor ávido. Esteve nas linhas da frente de batalha, em França, durante a Primeira Guerra Mundial. Mas Winston Churchill ficou conhecido como o homem que liderou a Grã-Bretanha durante a Segunda Guerra Mundial. E o que é que o tornou um líder e homem estado eficaz? A capacidade para inspirar pessoas, a sua visão estratégica, a paixão e a personalidade imperturbável.

Este é o político que Paulo Portas, líder do CDS, idolatra. Churchill inspirava quem o rodeava porque demonstrava entusiasmo, determinação e otimismo. Segundo o The Churchill Center, o forte espírito de perseverança e determinação de Winston Churchil resume-se bem na máxima de “We must just KBO (Keep Buggering On)” – “Temos apenas que continuar a moer-lhes o juízo” – , uma frase que Paulo Portas relembra num artigo escrito para o Observador, no 50.º aniversário da morte do antigo primeiro-ministro inglês. Uma frase que o líder do CDS diz ser “sobre a atitude com que Churchill mobilizava os seus e despachava o inimigo”.

Para Paulo Portas, Winston Churchill era um conservador que estava atento à questão social: “Há um Churchill social que nunca foi um Churchill socialista”, diz ao referir-se às preocupações do antigo primeiro-ministro inglês, por exemplo, para com os trabalhadores, ou o direito das mulheres ao voto.

Sim, falta António Costa, que não esteve disponível para indicar a sua preferência.

Agora que entramos em 2019...

...é bom ter presente o importante que este ano pode ser. E quando vivemos tempos novos e confusos sentimos mais a importância de uma informação que marca a diferença – uma diferença que o Observador tem vindo a fazer há quase cinco anos. Maio de 2014 foi ainda ontem, mas já parece imenso tempo, como todos os dias nos fazem sentir todos os que já são parte da nossa imensa comunidade de leitores. Não fazemos jornalismo para sermos apenas mais um órgão de informação. Não valeria a pena. Fazemos para informar com sentido crítico, relatar mas também explicar, ser útil mas também ser incómodo, ser os primeiros a noticiar mas sobretudo ser os mais exigentes a escrutinar todos os poderes, sem excepção e sem medo. Este jornalismo só é sustentável se contarmos com o apoio dos nossos leitores, pois tem um preço, que é também o preço da liberdade – a sua liberdade de se informar de forma plural e de poder pensar pela sua cabeça.

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