A grande dúvida desta noite foi se a Coligação conseguiria chegar à maioria absoluta ou não. Acontece que este resultado era impensável até há um ano.

Por isso e pelo volume dos resultados foi uma grande vitória da Coligação que apesar de perder mais de 10% em relação a 2011 (juntando resultados do PSD e CDS/PP) conseguiu uma vantagem muito significativa sobre o PS, o grande derrotado da noite.

Mas o mais confrangedor desta noite foi verificar o desespero com que o líder do PS se agarrou ao poder, não tirando qualquer consequência das suas responsabilidades e caindo na figura incompreensível do derrotado mais satisfeito da história da democracia portuguesa.

Num discurso confuso, em que não se percebeu até onde pretende ir num eventual acordo à sua esquerda, deu mais uma prova porque não mereceu a confiança dos portugueses.

António Costa falhou em toda a linha e partindo com o objetivo de obter uma maioria absoluta não sai porque, afinal, a coligação não conseguiu obter essa mesma maioria.

A forma como conquistou o partido, a contradição de líder que vence por poucochinho ter que sair e líder que perde claramente querer continuar, numa perspetiva lamentável de colocar os seus interesses pessoais, acima dos interesses do PS e do país é o elemento mais caracterizável do político que perde o respeito por si próprio.

Por tudo o que disse, pela forma como conquistou o partido, e não se iluda, pela enorme desilusão que constituiu para milhares de socialistas, António Costa só tinha uma saída digna, demitir-se.

E tenha como certo que aquele ambiente artificial triunfal do Altis contrasta com o sentimento do país. Dos militantes do seu partido e dos portugueses que ansiavam por uma mudança.

O PS tem de virar a página.

Terminar este seu ciclo Santanista, com uma liderança sustentada por uma elite que a todo o custo se quer perpetuar na política.

Respeitando a sua história, mas não sendo refém dela, o que a tem levado a derrotas sucessivas – com exceção do ciclo liderado por António José Seguro.

O papel de uma oposição construtiva e responsável é tanto mais importante quando se perspetiva um Governo de maioria relativa.

A capacidade de influenciar o Governo de direita será tanto maior, quanto for a capacidade do PS saber qual o seu papel para o futuro de Portugal.

Por contraste, vencedores da noite de forma indiscutível, foi a Coligação, apesar dos quatro anos de enorme austeridade impostas aos portugueses, Passos Coelho e Paulo Portas, mas também, o Bloco de Esquerda que surgiu aos olhos de muitos como a alternativa mais consistente ao Governo.

O PCP manteve e não cresceu, o que é pouco perante o quadro de contestação que o pais conheceu e os pequenos partidos desiludiram.

Em conclusão, a coligação tem que ter a humildade de perceber, o que os portugueses lhes disseram, perderam mais de 600 mil votos porque muitos  estão cansados de tanta austeridade, mas deram-lhes uma nova hipótese para que possam governar numa fase mais próspera para o país.

Quanto ao PS  que esteja a altura das suas responsabilidades, pois só com um projeto reformista e de futuro poderá voltar a ter a confiança da maioria dos Portugueses.

* Luís Bernardo, consultor de comunicação, ex-assessor de José Sócrates e António Guterres e ex-consultor de António José Seguro.

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