Legislativas 2015

Vitor Cunha: “A verdade por detrás dos resultados. E Marcelo”

Nas circunstâncias atuais, a Presidência não pode ser ocupada por líder de facção e só um português que o País respeite tem condições para conduzir um processo político atribulado

© Hugo Amaral/Observador

1. A coligação ganhou, o PS perdeu: esta verdade simples esconde complexidades maiores.

O PS perdeu, em primeiro lugar, porque não conhece o País que quer governar e não convenceu os sectores mais dinâmicos da sociedade e da economia. O famoso centro preferiu a estabilidade e a esquerda urbana deixou-se atrair pelas meninas (as comissões parlamentares de inquérito têm sido fatais para os grandes partidos: Nuno Melo e Mariana Mortágua são estrelas CPI).

2. Passou ganhou, Costa perdeu. Costa não aprendeu com a derrota e ameaça arrastar o País para o caos por questões que têm muito a ver com uma certa lógica que o levou à liderança do PS e o levou à derrota nestas legislativas. Debaixo de conversa doce e com ar angélico prepara-se para paralisar o País a partir do Parlamento: perdeu, mas quer governar com o programa derrotado. No meio disto, o PS sai dividido, perdido. E pelo que já se viu, continuará sem perceber o que lhe aconteceu.

3. Pedro Passos Coelho e Paulo Portas não têm tarefa fácil. Ganharam e serão governo. Não se lhes conhece programa detalhado e desconfia-se da ambição  – nem têm tropas para o aprovar. O jogo vai começar e teremos eleições antes do tempo. Merecíamos melhor sorte.

4. Seguem-se as presidenciais: Marcelo Rebelo de Sousa é o português certo para o lugar. Livre e independente, tem a experiência política, o conhecimento e o reconhecimento de Portugal. Nas circunstâncias atuais, a Presidência não pode ser ocupada por líder de facção e só um português que o País respeite tem condições para conduzir um processo político atribulado e pleno de indefinições.

* Vítor Cunha é consultor de comunicação

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