Um dos modelos fabricados pela AutoEuropa, o Scirocco de 2009, foi apanhado no escândalo da manipulação de emissões poluentes da Volkswagen. Segundo o Jornal de Negócios, o proprietário de um veículo desde modelo fez um teste na plataforma que permite apurar que carros foram afetados pela instalação do software que falsifica os resultados das emissões. O resultado foi positivo.

O Scirocco é um modelo fabricado em exclusivo na fábrica de Palmela do grupo alemão. Fonte da SIVA, que representa a Volkswagen em Portugal, confirmou ao Jornal de Negócios. “Tanto quanto sabemos da Volkswagen AG, existem entre os veículos afetados, os modelos da Volkswagen que refere”. A pergunta referia-se aos modelos produzidos em Palmela: Eos, Scirocco e Sharan.

O dono do Scirocco introduziu os dados do seu automóvel na plataforma disponibilizada pela VW e que permite aos automobilistas saber se o seu carro está entre os modelos em que foram instalados os kits fraudulentos.

“Lamentamos informá-lo de que o motor Tipo EA 189 do seu veículo com o número de chassis (…) que submeteu está afectado pelo ‘software’ que causa discrepâncias nos valores de óxidos de azoto durante os ensaios no dinamómetro”. Esta foi a mensagem recebida pelo condutor português que transmitiu ao Negócios, optando por não se identificar.

Teatemunhos entretanto enviados ao Observador indicam que também nos modelos Sharan da Volkwagen e Alhambra da Seat foi detectado o problema. António Chora da comissão de trabalhadores da unidade de Palmela lembra que os motores, onde estão instalados os kits fraudulentos, chegam já à AutoEuropa montados.

AutoEuropa pode ficar sem investimento. Alarmes começam a soar em Espanha

A maior fábrica portuguesa e o segundo maior exportador nacional pode ficar sem o investimento de 677 milhões de euros que está em curso.

De acordo como o Diário Económico, esta possibilidade tornou-se real depois da revelação do presidente-executivo do grupo Volkswagen, Matthias Mueller, de que a empresa irá sofrer danos “gigantescos e imprevisíveis” e que vão ser cancelados todos os investimentos “não essenciais”. 

No entanto, e em declarações ao Económico, uma fonte oficial do Ministério da Economia afirmou que “para já não temos conhecimento de que a VW tenha intenções de desinvestir em Portugal. Estamos a aguardar que o fabricante apresente as suas medidas para resolver esta situação.” O mesmo diário refere que uma fonte oficial da Volkswagen AutoEuropa recusou-se a fazer comentários sobre esta situação.

Mas não foi só a fábrica portuguesa a tremer com a intervenção de Mueller. Os alarmes também soaram em Espanha. Segundo notícia o El Pais, a Seat, que pertence ao universo VW, tinha anunciado um investimento de 4.2 mil milhões de euros nos próximos cinco anos nas duas fábricas de Navarra e da Catalunha. Todo esse investimento é colocado agora em causa. Citado pelo diário espanhol, e em declarações à agência Efe, o presidente do comité da Seat, Matías Carner, admite que “agora levantam-se muitas dúvidas e sente-se aqui intranquilidade pelo emprego entre os trabalhadores.”