Numa visita à baixa de Albufeira, uma das zonas mais afetadas pelas cheias de domingo, o novo ministro da Administração Interna, João Calvão da Silva, elogiou o trabalho das forças operacionais, dos voluntários e a “entreajuda dos vizinhos”, frisando que os alertas “funcionaram bem”. 

No seu primeiro ato público enquanto ministro, Calvão e Silva mostrou-se também satisfeito por muitas pessoas já terem acionado os seguros. E deixou um conselho para quem os não tem: “É bom reservar um bocadinho para no futuro ter seguro”.

João Calvão da Silva que, durante a visita, falou com comerciantes e moradores da zona baixa da cidade, lembrou ainda a morte de um idoso de 80 anos, que foi levado por uma enxurrada em Boliqueime. “Ao lado dos danos patrimoniais avultados, houve ainda a perda de uma vida humana. Por isso, fiz questão de começar esta visita com os cumprimentos de condolências à família da pessoa enlutada”, disse em declarações aos jornalistas.

“Era um homem que já tinha vindo do estrangeiro, tinha 80 anos, fica a sua mulher, Fátima, ele que era um homem de apelido Viana. Ele entregou-se a Deus, e Deus certamente que lhe reserva um lugar adequado. A família também está determinada em continuar.”

Impressionado com os estragos causados pelas cheias, o ministro admitiu que “uma coisa é ver as imagens televisivas, outra é ver diretamente no local”. “Os alertas funcionaram, as pessoas tomaram medidas preventivas. O que acontece é que as medidas preventivas normais não foram suficientes, mas não significa que não tenham atenuado os danos catastróficos que se verificaram.”

Tecendo vários elogios às forças operacionais que, desde domingo, têm estado no local, João Calvão da Silva salientou que “Portugal pode confiar nos serviços de proteção civil”. “Todos em conjunto merecem o apreço do ministro da Administração Interna, do Governo e do País. Um bem-haja pelos vossos esforços.” 

O ministro chamou ainda a atenção para o facto de ter havido em Albufeira “uma fúria da natureza que se revoltou”. “É impressionante ver a força, a tenacidade destas pessoas nesta hora difícil das suas vidas. A natureza humana vai buscar forças onde pensa que estas já não existem. As pessoas estão a reagir, muitas já voltaram à normalidade. Outras vão voltar nos próximos dias”, referiu.

Sobre um possível declaração de calamidade pública, João Calvão da Silva disse que “não se pode dizer que neste momento estou em condições de dizer que vamos dar ou não vamos dar”, referindo que o que “esta gente precisa é de ajuda imediata”. “A presença humana, ao lado das pessoas, é uma palavra que é um lenitivo para a dor”, frisou.

“Nesta vida, o que conta é uma resposta imediata. O que conta é o dia de ontem e o dia de hoje. E esta gente precisa de ajuda imediata. Por mim, estaria aqui mesmo que hoje à noite já não fosse ministro.”

Elogiando o facto de já muitas pessoas terem acionado o seguro, o ministro salientou que já existe a consciência de que “há outros mecanismos para além dos estatais” e aconselhou a população a fazer um seguro. “Cada um tem um pequeno pé-de-meia. Em vez de o gastar mais aqui ou além, deviam pagar um prémio de seguro. Isto é uma lição de vida para todos nós. Para quem não tem seguro, aprende, em primeiro lugar, que é bom reservar um bocadinho para no futuro ter seguro.”