Mais de 30% do território angolano está sujeito a riscos climáticos, constituindo preocupação atual para as autoridades angolanas a seca que afeta sobretudo o sul, assunto a abordar na Conferência das Nações Unidas sobre Alterações Climáticas (COP21), em Paris.

As alterações climáticas constituem prioridade na agenda do Governo angolano, tendo sido adotadas várias estratégias e ações concretas, como a promoção do carvão sustentável, energias Renováveis, proteção das florestas e educação e consciencialização ambiental.

Secas, inundações e o aumento da variabilidade climática são sinais das consequências das alterações climáticas que têm afetado extensas comunidades, sobretudo no sul de Angola, que tem sido afetado por períodos de secas prolongadas. Em 2012 a seca teve impactos em cerca de dois milhões de pessoas, em dez das 18 províncias angolanas.

Números oficiais indicam que cerca de 31% do território angolano está sujeito a riscos climáticos, de vária ordem.

A preocupação com estes fenómenos, que têm afetado fortemente a produção agrícola, tem vindo a ser analisada de forma conjunta por vários órgãos governamentais para a minimização dos seus efeitos.

Os esforços juntam sobretudo os Ministérios do Ambiente e da Agricultura, com o apoio de parceiros internacionais.

A Integração da Resiliência Climática nos Sistemas de Produção Agrícola e Agro-pastorais, através da gestão da fertilidade do solo em áreas chaves de produção, é um dos projetos em curso, que procura envolver as comunidades na melhora da sua forma de sobrevivência em áreas afetadas por calamidades naturais.

A secretária de Estado do Ambiente, Paula Coelho, considerou urgente a necessidade de realizar levantamentos sobre as implicações diretas das alterações climáticas na vida das comunidades.

“Porque isso tem grandes implicações diretas naquilo que é a biodiversidade, no que toca à agricultura, ao comércio e à subsistência e aos impactos de forma direta e indireta dos programas de combate à pobreza, que afeta as províncias do Huambo, Bié, Malange e Huíla”, disse a governante em declarações a jornalistas.

A falta de informação sobre os possíveis impactos das alterações climáticas nas águas, nos solos, nas florestas ou zonas costeiras de Angola é um problema que as autoridades angolanas reconhecem existir na sua primeira Comunicação Nacional, elaborada no âmbito da Convenção Quadro das Nações Unidas para as Alterações Climáticas.

A COP21, que decorrerá entre 30 de novembro e 11 de dezembro, vai reunir em Paris pelo menos 147 chefes de Estado e de Governo, entre os representantes de 195 países, que tentarão alcançar um acordo vinculativo sobre redução de emissões de gases com efeito de estufa que permita limitar o aquecimento da temperatura média global da atmosfera a dois graus centígrados acima dos valores registados antes da revolução industrial.