São três e entram no Bataclan sem aviso. Com eles levam metralhadoras, que usam para matar indiscriminadamente 89 das centenas de pessoas que estavam na sala de concertos. É o ponto mais mortal dos atentados que, a 13 de novembro, injetam o terror e a violência em Paris. Este e outros ataques foram coordenados e ordenados por Abdelhamid Abaaoud, um belga de origem marroquina que, há semanas, a polícia localizou e matou, nos arredores da capital francesa. Nada disto é novo, ao contrário do que um especialista em terrorismo defendeu, esta segunda-feira: que Abaaoud terá coordenado o ataque no Bataclan e comunicado com os três terroristas via telemóvel.

O especialista em questão chama-se Jean Charles Brisard e avançou esta hipótese num artigo publicado pelo Combating Terrorism Center, instituição sediada em Nova Iorque. O autor, noticia a CNN, sustenta a informação no relato de uma testemunha que afirma ter visto Abdelhamid Abaaoud “a gritar” para o telemóvel “no vão de uma porta”, perto do Bataclan, à hora em que decorreram os ataques.

Na noite dos atentados, aliás, a testemunha — que Brisard não identifica no artigo — deslocou-se várias vezes a um parque situado perto do Bataclan, onde terá avistado sempre Abaaoud. O suspeito estaria “muito agitado” e, após os ataques, a mesma testemunha tê-lo-á reconhecido imediatamente, assim que as imagens do alegado cérebro dos atentados começaram a circular nas televisões e na imprensa gaulesas. “A presença de Abbaoud nas imediações dos ataques é uma indicação do seu grau de envolvimento na supervisão e controlo da operação, sugerindo que estava a dar ordens e instruções diretas a quem estava dentro do Bataclan”, escreveu o especialista em terrorismo.

A CNN recorda que o registo das chamadas do telemóvel de Abdelhamid Abaaoud, consultado pelas autoridades gaulesas, mostra que, na noite dos ataques, o suspeito comunicou com Bilal Hadfi — um dos terroristas que se fez explodir perto do Stade de France, no bairro parisiense de Saint-Denis. A funcionalidade da geolocalização no telemóvel de Abaaoud também permitiu à polícia concluir que o suspeito esteve em alguns locais dos ataques entre as 22h28 e as 00h28 — as primeiras explosões foram registadas às 21h20, perto do estádio onde as seleções francesa e alemã realizavam uma partida de futebol.

Cinco dias após os atentados, a 18 de novembro, Abdelhamid Abaaoud foi localizado e morto pelas autoridades, num apartamento de Saint-Denis, nos arredores de Paris.