Banif

Maria Luís defende-se, desconfia e critica Banco de Portugal

688

Ex-ministra das Finanças garantiu na TVI que fez tudo para vender o Banif, diz-se surpreendida com montante da resolução e critica supervisão do Banco de Portugal. A banca está melhor, garante.

VALDA KALNINA/EPA

A ex-ministra das Finanças garantiu esta segunda-feira, numa entrevista na TVI, ter feito “tudo” para vender o Banif durante os mais de dois anos em que foi ministra. “Recebi vários investidores interessados e encaminhei-os para a administração. Infelizmente nunca chegou uma proposta”, disse Maria Luís Albuquerque, respondendo também a Jorge Tomé, da administração do Banif, que disse que o anterior Governo deu prioridade à venda do Novo Banco, pondo em stand by uma solução para o banco agora resolvido pelo Banco de Portugal: “Isso até podia ter sido uma oportunidade, alguém querer também ou, em alternativa [ao Novo Banco], o Banif”.

Afirmando ter apresentado em Bruxelas “8 planos de reestruturação” do banco, “o último em setembro”, Maria Luís recusou as críticas de “inação” feitas por Mário Centeno, seu sucessor. “Não percebo o que quer dizer. Procurámos um comprador. Mas não conseguimos, assim como este governo não conseguiu evitar a resolução do banco, que foi decidida pelo Banco de Portugal”. E acrescentou um ponto: “A viabilidade do Banif foi sempre posta em causa pela Comissão Europeia”.

Dizendo-se “sem informação suficiente” para fazer um julgamento da operação realizada este fim de semana, a ex-ministra não deixou de manifestar várias dúvidas sobre o processo. “Surpreendida com os montantes” envolvidos, com “muitas dúvidas” sobre o peso que é dado aos contribuintes (ao invés de isso acontecer sobre o sistema financeiro, como no BES), até levantando dúvidas sobre “divergências” entre o comunicado da Comissão Europeia e o que disseram António Costa e o Banco de Portugal, Maria Luís Albuquerque apoiou a comissão de inquérito que vai acontecer ao caso, e deixou clara uma crítica a Carlos Costa: “Há claramente um problema de supervisão, que deve ser mais uma vez analisado”.

Para já, pede dados ao novo Governo: que propostas existiram para a compra do banco, que alternativas existiram. Que mais dados tinha o Governo e o banco central para chegarem a esta decisão.

Mesmo assim, durante a entrevista, a agora deputada do PSD frisou sempre que a situação do Banif não era, até ter saído do Governo, tão dramática como agora se mostrou. “Foi sempre uma situação difícil, mas apesar dos planos de reestruturação terem sido chumbados [em Bruxelas], foi pondo em prática esses planos com bons resultados”, disse, admitindo que tudo tenha piorado substancialmente na última semana, depois da TVI (onde dava a entrevista) ter noticiado a hipótese de fecho do banco.

Os problemas no Banif, disse Maria Luís, já existiam em 2011, “como em todo o setor bancário”. E tinham como causas as regras existentes, assim as “más práticas” da banca até então. Os planos de ajuda do Estado “melhoraram a situação”, mas há “desafios” que persistem. Como a economia, que passou por uma recessão, ou os juros baixos do BCE, que não ajudam à rentabilidade das operações. Sugerindo um caminho de “fusões ou aquisições” para os bancos ganharem escala, a ex-ministra sublinhou sempre que a situação “hoje é incomparavelmente melhor” do que quando assumiu funções no anterior Governo. E lembrou que quando lá chegou teve “também só um mês para resolver o problema do BPN”. “Ainda hoje acredito que resolvi da melhor forma”, disse.

Todos queremos saber mais. E escolher bem.

A vida é feita de escolhas. E as escolhas devem ser informadas.

Há uns meses o Observador fez uma escolha: uma parte dos artigos que publicamos deixariam de ser de acesso totalmente livre. Esses artigos Premium, por regra aqueles onde fazemos um maior investimento editorial e que mais diferenciam o nosso projecto, constituem a base do nosso programa de assinaturas.

Este programa Premium não tolheu o nosso crescimento – arrancámos mesmo 2019 com os melhores resultados de sempre.

Este programa tornou-nos mesmo mais exigentes com o jornalismo que fazemos – um jornalismo que informa e explica, um jornalismo que investiga e incomoda, um jornalismo independente e sem medo. E diferente.

Este programa está a permitir que tenhamos uma nova fonte de receitas e não dependamos apenas da publicidade – porque não há futuro para a imprensa livre se isso não acontecer.

O Observador existe para servir os seus leitores e permitir que mais ar fresco circule no espaço público da nossa democracia. Por isso o Observador também é dos seus leitores e necessita deles, tem de contar com eles. Como subscritores do programa de assinaturas Observador Premium.

Se gosta do Observador, esteja com o Observador. É só escolher a modalidade de assinaturas Premium que mais lhe convier.

Partilhe
Comente
Sugira
Proponha uma correção, sugira uma pista: observador@observador.pt

Só mais um passo

1
Registo
2
Pagamento
Sucesso

Detalhes da assinatura

Esta assinatura permite o acesso ilimitado a todos os artigos do Observador na Web e nas Apps. Os assinantes podem aceder aos artigos Premium utilizando até 3 dispositivos por utilizador.

Só mais um passo

1
Registo
2
Pagamento
Sucesso

Detalhes da assinatura

Esta assinatura permite o acesso ilimitado a todos os artigos do Observador na Web e nas Apps. Os assinantes podem aceder aos artigos Premium utilizando até 3 dispositivos por utilizador.

Só mais um passo

Confirme a sua conta

Para completar o seu registo, confirme a sua conta clicando no link do email que acabámos de lhe enviar. (Pode fechar esta janela.)