Um dos maiores investidores institucionais do mundo, a gestora de ativos PIMCO, lança fortes críticas às autoridades nacionais pela decisão inédita de impor perdas a alguns credores do Novo Banco para recapitalizar a instituição. A “discriminação” que existiu, num país da zona euro, cria um “precedente perigoso” que, na opinião de um diretor da PIMCO, deve levar os investidores a repensarem o investimento em Portugal e, se as autoridades europeias permanecerem em silêncio, em todos os mercados de capitais da zona euro.

Philippe Bodereau é o diretor da PIMCO que assina o artigo de opinião arrasador no Financial Times. O tom crítico do artigo é ainda mais gravoso do que as palavras que a PIMCO transmitiu ao jornal Expresso este sábado. “A nova administração portuguesa não é o primeiro governo a recorrer a confisco de ativos e medidas populistas. A Venezuela e a Argentina também pertencem a este clube”, atira a PIMCO.

As críticas da PIMCO vêm na sequência da decisão de “confiscar os ativos de obrigacionistas de forma seletiva e retroativa”, que foi uma “discriminação contra os obrigacionistas estrangeiros”. O Observador debruçou-se sobre esta decisão controversa e os dois grandes problemas jurídicos que ela criou no texto Uns filhos, outros enteados na dívida do BES.

A PIMCO questiona a necessidade de avançar com esta medida neste momento, uma vez que apesar de o Novo Banco ter chumbado no cenário adverso dos testes de stress de novembro, havia entre seis e nove meses para solucionar o problema. E o problema podia, acredita a PIMCO, ser resolvido com medidas como vendas de ativos, aumento de capital, entre outras. É assim, aliás, que está a ser feita a recapitalização dos bancos gregos.

Ainda assim, a gestora de ativos não é contra que os investidores sofram perdas quando há problemas em empresas. Mas defende que, mesmo quando isso é necessário, “isso tem de ser feito de forma justa e respeitando a lei“. “Assim, o precedente aberto pelo Novo Banco é uma questão importante para todos os mercados europeus, não só para o mercado português”.