Cerca de 1.200 pessoas foram mortas em ataques perpetrados pelo grupo extremista nigeriano Boko Haram no Extremo-Norte dos Camarões desde 2013, anunciou hoje o porta-voz do governo camaronês e ministro da Comunicação.

“Ao todo, 1.098 civis, 67 militares e três agentes policiais morreram nas agressões bárbaras dirigidas contra o nosso país pelo grupo terrorista Boko Haram”, declarou Issa Tchiroma Bakary.

“Contámos na região do Extremo-Norte [junto à fronteira com os redutos dos islamitas na Nigéria], 315 incursões dos terroristas do Boko Haram, 12 acidentes com minas e 32 atentados suicidas organizados por estes criminosos”, acrescentou.

Os ataques do Boko Haram, que se juntou ao grupo extremista Estado Islâmico (EI), ocorrem quase diariamente desde o início do ano, e vários são organizados simultaneamente em algumas localidades.

Quatro ataques foram perpetrados na madrugada de 05 de janeiro em quatro locais diferentes, de acordo com Tchiroma.

Na quarta-feira, 12 fiéis morreram numa mesquita, na pequena aldeia de Kouyape, quando um terrorista suicida se fez explodir durante a oração da manhã.

Dois dias antes, “a 10 de janeiro, cerca das 16:30, o chefe da aldeia de Fima foi degolado com dois dos seus notáveis e várias concessões foram pilhadas e incendiadas”, acrescentou Tchiroma.

Os membros do Boko Haram organizam também regularmente roubos de gado nos Camarões.

“Em 2015, o número de bois roubados em território camaronês elevou-se a 4.200, sem contar com pequenos ruminantes (cabras e ovelhas)”, declarou Tchiroma. O responsável precisou que já em 2014, 1.160 cabeças de gado “foram roubadas” às populações da região pelos islamitas nigerianos.

“Perante esta agressão, gratuita e injustificada, as nossas forças de defesa e de segurança souberam dar resposta, infligindo pesadas perdas ao inimigo e importantes reveses”, garantiu Tchiroma.

As ações dos soldados camaroneses “acabaram por enfraquecer, ao ponto de reduzir [o Boko Haram] a atos de cobardia como os atentados suicidas, que se tornaram na operação preferida”, disse.

Em 2013, os Camarões reforçaram a presença militar ao longo da fronteira nigeriana perante a crescente pressão dos islamitas e depois de, durante anos, terem deixado passar os combatentes ativos do Boko Haram no nordeste da Nigéria, que usavam a região camaronesa como base recuada e local de aprovisionamento de armas, veículos e mercadorias.

Yaoundé passou em seguida à ofensiva, ao integrar a coligação regional militar (Camarões, Nigéria, Niger, Chade e Benim) que combate os extremistas.

Na Nigéria, a insurreição do Boko Haram e as ações militares de repressão causaram pelo menos 17 mil mortos e mais de 2,5 milhões de deslocados desde 2009.