O risco implícito da dívida pública portuguesa subiu esta terça-feira para os níveis máximos desde o verão de 2014, imediatamente após o programa de resgate financeiro da troika. O arrastar das negociações com a Comissão Europeia sobre o Orçamento do Estado para 2016 e o receio de que a DBRS venha a cortarrating português estão a levar os investidores a pedirem juros mais elevados para comprarem obrigações do Tesouro português.

Com a taxa a 10 anos de Portugal a subir seis pontos-base nesta terça-feira para 2,99%, a diferença entre os juros de Portugal e a referência da dívida alemã saltou para os 265 pontos-base (ou seja, 2,65 pontos percentuais). Este é o indicador mais relevante para medir o risco da dívida portuguesa, já que expurga o juro absoluto de fatores como a taxa diretora do BCE e as expectativas de inflação. Como se diz neste Explicador sobre o mercado de dívida pública, é esse spread entre a dívida portuguesa e a alemã que reflete as reais condições de financiamento do Estado português.

Spread dos juros sobe para níveis do pós-troika

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O “spread” da dívida pública nacional está em 265 pontos-base, ou seja, mais 2,65 pontos percentuais do que aquilo que é cobrado à Alemanha.

A subida de seis pontos-base na yield a 10 anos aconteceu num dia em que em Espanha, apesar da indefinição política que se vive no país-vizinho, os juros subiram apenas dois pontos-base (para 1,59%, no caso espanhol). Estes não são custos efetivamente pagos pelos Tesouros públicos, por se tratar de transações feitas entre investidores com dívida já emitida, mas servem de referência para aquilo que os Estados terão de pagar se forem ao mercado buscar novo financiamento.

E porquê a subida do risco português? A pergunta foi feita no texto publicado no domingo à noite Todos os nomes. O que este orçamento já ouviu. Uma notícia que o Expresso publicou este sábado, citando uma fonte do governo socialista, explicava a maior perceção de risco da seguinte forma: “O caso do Novo Banco é o que está a dar mais problemas na nossa imagem, foi o que mais nos fragilizou lá fora, e não o Orçamento do Estado ou o facto de termos um governo apoiado por comunistas e bloquistas”.

Ao Observador, David Schnautz, analista do Commerbzank, disse, na semana passada, que “os mercados internacionais estão nervosos. Os investidores estão, neste momento, mais atentos aos riscos do que às oportunidades, o que cria um contexto pouco favorável para Portugal”. O especialista aponta o dedo “à marcha-atrás que o novo governo está a fazer, comparativamente às políticas que estavam a ser seguidas e que eram do agrado dos investidores e das agências de rating“.