Quase cinco anos depois de a Síria se ter transformado gradualmente no palco de uma das guerras mais sangrentas do século XXI, um cessar-fogo parece ser uma realidade cada vez mais próxima.

Após a reunião que esta quinta-feira juntou o Grupo Internacional de Apoio à Síria (que inclui 17 países, entre eles os EUA, a Rússia e toda a Liga Árabe), o ministro dos Negócios Estrangeiros russo, Sergei Lavrov, avançou que “o Governo da Síria e os grupos da oposição serão capazes de tomar as medidas necessárias para cessarem as hostilidades”. Para tal, basta que se queiram sentar à mesa.

“Concordámos em implementar um cessar-fogo a nível nacional dentro de uma semana”, disse o secretário de Estado norte-americano, John Kerry. “O grande teste será todas as partes serem capazes de honrarem estes compromissos”, sublinhou.

Lavrov deixou ainda claro que o cessar-fogo não inclui o ataque ao auto-proclamado Estado Islâmico e outros grupos “que tenham sido qualificados como terroristas pelo Conselho de Segurança das Nações Unidas”, que deverá continuar.

O anúncio que pode vir a fazer História foi feito em Munique. “Fizemos progressos tanto na frente humanitária, como na perspetiva de um cessar-fogo”, assegurou John Kerry, garantindo que o acordo atingido na noite de quinta-feira “tem o potencial para mudar as vidas quotidianas do povo sírio”. O secretário de Estado dos EUA referiu ainda que a criação de condições para haver ajuda humanitária às populações em necessidade é “prioritária”.

O plano agora forjado permitirá “ao Governo da Síria e aos grupos da oposição tomar as medidas necessárias para preparar o fim das hostilidades”, conforme referiu John Kerry.

Agora, basta que os dois lados se sentem à mesma mesa para falar. “Durante esta semana, o regime de Assad e a oposição têm de tomar uma decisão”, disse, referindo que o processo negocial das potências presentes no Grupo Internacional de Apoio à Síria foi diferente do que aconteceu noutras reuniões: “Em Viena, e duas vezes em Nova Iorque, apelámos a um cessar-fogo. Hoje decidimos especificamente como será o processo de paz, e os respetivos prazos, e todos acordámos que vamos fazer tudo ao nosso alcance para o cumprirmos”.