O presidente do Uganda, Yoweri Museveni, no poder há 30 anos, é o favorito para as presidenciais que se realizam esta quinta-feira e nas quais disputa um quinto mandato de cinco anos.
Cerca de 15 milhões de eleitores são chamados a escolher entre Yoweri Museveni, de 71 anos, e sete outros candidatos, entre os quais uma mulher, mas apenas o opositor histórico Kizza Besigye e o ex-primeiro-ministro Amama Mbabazi poderão eventualmente forçar o presidente a uma segunda volta, que seria inédita.
(ISAAC KASAMANI/AFP/Getty Images)
Desde a sua independência em 1962 que o país da África Oriental, com cerca de 37 milhões de habitantes, nunca conheceu uma alternância política pacífica e perto de metade dos eleitores nunca conheceram outro presidente.
Chegado ao poder em 1986 – após tomar Kampala à frente do seu Exército de Resistência Nacional (NRA) e derrubar o autocrata Milton Obote – Museveni pode contar com a força financeira e o saber fazer eleitoral do seu partido, o Movimento de Resistência Nacional (NRM).
Kizza Besigye já considerou que uma eleição livre e justa era impossível no Uganda e afirmou que não voltaria a candidatar-se, após as derrotas nas três últimas presidenciais. Mas o antigo médico pessoal de Museveni, durante a guerra civil (1980-1986), que se tornou chefe da oposição em 2001, deixou-se tentar novamente.
Líder do Fórum para a Mudança Democrática (FDC), Besigye tem grande popularidade, sobretudo nas cidades, mas não dispõe dos recursos do seu antigo paciente.
No entanto, a população começa a acorrer às urnas envolta em receios de violência. Isto porque, na passada segunda-feira, e depois de Besigye ter sido detido duas vezes quando se preparava para algumas iniciativas de campanha nas ruas da capital, a polícia e apoiantes do líder do FDC entraram em confrontos provocando a morte a uma pessoa. As autoridades, na sequência desta situação, esclareceu, mais tarde, que a detenção deveu-se ao facto de o candidato não ter permanecido numa das vias autorizadas e que, por isso, perturbou o comércio na zona.