O presidente do Uganda, Yoweri Museveni, no poder há 30 anos, é o favorito para as presidenciais que se realizam esta quinta-feira e nas quais disputa um quinto mandato de cinco anos.

Cerca de 15 milhões de eleitores são chamados a escolher entre Yoweri Museveni, de 71 anos, e sete outros candidatos, entre os quais uma mulher, mas apenas o opositor histórico Kizza Besigye e o ex-primeiro-ministro Amama Mbabazi poderão eventualmente forçar o presidente a uma segunda volta, que seria inédita.

A woman casts her vote in presidential and parliamentary polls, on February 18, 2016 at the Nasuti polling station in Mukono District, some 23 kilometres east of the capital Kampala. Ugandans began voting on February 18 in presidential and parliamentary polls, with veteran leader Yoweri Museveni widely expected to extend his power into a fourth decade. / AFP / ISAAC KASAMANI (Photo credit should read ISAAC KASAMANI/AFP/Getty Images) AFP/Getty Images

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Desde a sua independência em 1962 que o país da África Oriental, com cerca de 37 milhões de habitantes, nunca conheceu uma alternância política pacífica e perto de metade dos eleitores nunca conheceram outro presidente.

Chegado ao poder em 1986 – após tomar Kampala à frente do seu Exército de Resistência Nacional (NRA) e derrubar o autocrata Milton Obote – Museveni pode contar com a força financeira e o saber fazer eleitoral do seu partido, o Movimento de Resistência Nacional (NRM).

Kizza Besigye já considerou que uma eleição livre e justa era impossível no Uganda e afirmou que não voltaria a candidatar-se, após as derrotas nas três últimas presidenciais. Mas o antigo médico pessoal de Museveni, durante a guerra civil (1980-1986), que se tornou chefe da oposição em 2001, deixou-se tentar novamente.

Líder do Fórum para a Mudança Democrática (FDC), Besigye tem grande popularidade, sobretudo nas cidades, mas não dispõe dos recursos do seu antigo paciente.

No entanto, a população começa a acorrer às urnas envolta em receios de violência. Isto porque, na passada segunda-feira, e depois de Besigye ter sido detido duas vezes quando se preparava para algumas iniciativas de campanha nas ruas da capital, a polícia e apoiantes do líder do FDC entraram em confrontos provocando a morte a uma pessoa. As autoridades, na sequência desta situação, esclareceu, mais tarde, que a detenção deveu-se ao facto de o candidato não ter permanecido numa das vias autorizadas e que, por isso, perturbou o comércio na zona.