“Há muito tempo que o Bloco de Esquerda defende o controlo público da banca. E no caso do Novo Banco sempre o dissemos”. Uma posição clara de Mariana Mortágua que, esta quarta-feira, defendeu que o país, nesta altura, de “pensar estrategicamente” sobre o futuro do país. E vender o Novo Banco é uma estratégia que tem tudo para correr mal, apontou a bloquista.

Primeiro, porque “esta não é altura para vender bancos”, apontou Mariana Mortágua, referindo-se à atual conjetura e falta de vigor do mercado de capitais. O Novo Banco já está à venda “há muito tempo”, Sérgio Monteiro foi contratado “por um salário milionário” e, nem por isso, apareceu qualquer comprador para o antigo BES. “Quanto mais se fala em vender o Novo Banco mais o valor do banco se degrada”, reiterou a deputada do BE.

O Bloco de Esquerda defende, por isso, que esta é altura de olhar para o quadro todo e perceber de que forma o Novo Banco – em mãos públicas – pode ajudar a relançar a economia portuguesa. “Como é que nós podemos sequer almejar a ter uma economia que se desenvolva e ter algum tipo de política económica, se não temos controlo sobre o nosso sistema bancário?”, questionou a bloquista.

Mesmo sem avançar com uma solução concreta em relação a uma possível integração do Novo Banco na Caixa Geral de Depósitos (CGD) – “seria imprudente da minha parte”, justificou – Mariana Mortágua admitiu que o banco bom podia ter um papel de “complementaridade” em relação à Caixa. No fundo, aproveitar as características do Novo Banco para dar à CGD aquilo que lhe falta: “um banco orientado para o investimento empresarial e para o desenvolvimento industrial”.

Desafiada a comentar se esta integração hipotética do Novo Banco na Caixa não prejudicaria o banco público, Mariana Mortágua respondeu apontando noutro sentido.

“A CGD tem um problema e não é o Novo Banco. São as regras europeias que impedem o Estado de injetar na CGD o dinheiro de que ela precisa para sobreviver de forma saudável. Portanto, existe uma hipocrisia dizendo que o Estado não pode injetar dinheiro, mas depois quando as instituições estão numa posição muito fragilizada, dizem: ‘ah, então é preciso privatizar’. É preciso rejeitar esta lógica”, atirou a bloquista.

Para a bloquista, de resto, a banca “está muito desvalorizada” o que faz com que esteja a ser “vendida a preço de saldo”. Foi o que aconteceu com o Banif e o que poderia acontecer agora com o Novo Banco, caso fosse vendido. É preciso contrariar “a ideia de que vender um banco é sempre positivo”, insistiu a deputada do Bloco. “Como é que se pode dizer que vender o Banif foi mais benéfico se nós ainda pagamos para vender o Banif? Temos de sair da caixinha ideológica”, exemplificou.