A autoridade reguladora para os media britânicos, a Ofcom, disse que não vai levar para a frente qualquer investigação depois de ter recebido 17 queixas por o Channel 4 ter escolhido a jornalista Fatima Manji, que usa hijab, para apresentar notícias sobre o atentado de Nice.

“Recebemos um número reduzido de queixas que diziam que não era apropriado uma apresentadora com um hijab apresentar uma peça sobre o ataque de Nice”, disse um porta-voz da Ofcom, citado pelo The Guardian. “Não vamos levar o assunto para investigação. A seleção da apresentador é um assunto editorial do canal e a maneira como o apresentador escolhe para se vestir neste caso não levanta nenhuma questão de acordo com as nossas regras.”

Este caso ganhou relevância depois de o antigo diretor do tablóide The Sun Kelvin MacKenzie ter criticado numa coluna daquele jornal o Channel 4 pela escolha de Fatima Manji. “Com todos os ultrajes terroristas perpetrados por muçulmanos, penso que é razoável que todos nós estejamos preocupados em relação ao que está a bater nos seus corações religiosos. Quem é que está a representar os nossos medos no estúdio? Ninguém.” MacKenzie referiu ainda que o hijab é “o símbolo da escravatura das mulheres muçulmanas numa religião dominada por homens e claramente violenta”.

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Fatima Manji respondeu a Kelvin MacKenzie, num texto publicado no jornal Liverpool Echo, dizendo que o seu artigo “foi apenas um testamento de uma campanha antiga e generalizada para intimidar os muçulmanos de fazerem parte da vida pública”. “Kelvin MacKenzie tentou insultar 1.6 mil milhões de muçulmanos ao sugerir que eles são inerentemente violentos. Ele tentou insultar metade deles ao sugerir que são escravos sem salvação. E tentou insultar-me ao sugerir que eu simpatizaria com um terrorista”, escreveu a jornalista do Channel 4.

Na sequência do seu texto no The Sun, Kelvin MacKenzie apelou aos seus leitores para apresentarem queixa à Ofcom contra o Channel 4, sendo que estas foram apenas 17. Porém, a mesma autoridade reguladora recebeu mais de 800 queixas contra Kelvin MacKenzie.