A presidente do IGCP — organismo que gere a dívida pública — adiantou esta segunda-feira, em entrevista ao jornal Público, que Portugal vai pedir autorização à União Europeia e ao Eurogrupo para continuar a antecipar os pagamentos ao FMI. Além dos 1,7 mil milhões que serão pagos já em 2017, o IGCP quer pagar mais 3,5 mil milhões em 2018. Cristina Casalinho considerou ainda que se as taxas de juro a 10 anos estabilizarem nos 4% serão “aceitáveis.”

Na mesma entrevista, Cristina Casalinho explica ainda que já deixou de “fazer prognósticos” quanto a uma subida do rating do país por parte das três grandes agências (Moodys, Fitch e Standard&Poors), o que ajudaria a melhorar a situação do país junto dos mercados. Para isso, explica, é preciso esperar pelo menos um ano, já que primeiro as agências sobem o outlook (o que, a fazerem, seria apenas dentro de seis meses) e só depois (o que acontecerá, por sistema, mais meio ano depois) sobem o rating.

A presidente do IGCP identifica as três razões que levam o rating a não subir: dívida elevada, (baixo) crescimento e a fragilidade da banca. Admite que as agências já não querem saber do défice, mas acredita que isso acontece porque “já têm evidências de que as coisas correram bem este ano. Se as coisas tivesssem corrido mal, provavelmente estariam outra vez centradas [no défice]“.

Cristina Casalinho adverte ainda que Portugal não se pode comparar com alguns Estados a que habitualmente é comparado.

Nós gostamos muito de nos comparar com a Espanha, Itália ou Irlanda. A questão é que qualquer um destes países não está em grau especulativo, nós estamos (…) Na sequência disso, há investidores que compravam [dívida] antes da crise e que nos deixaram de comprar.”

A presidente da entidade que gere a dívida pública defende que se Portugal conseguir estabilizar os juros da dívida nos 4% serão taxas “aceitáveis”. Cristina Casalinho adverte que “as taxas subirem um bocadinho não é necessariamente mau para se registar uma normalização e os investidores voltarem a sentir-se confortáveis com a dívida europeia.” O IGCP também não teme o fim da ajuda do BCE, há que está garantido que não existirá uma “travagem brusca” e que o que seria “problemático” é se, de um momento para o outro, “o suporte desaparecesse.”