“Artisticamente achei lindo”. Foi este o primeiro comentário de Ricardo Salgado à reportagem da SIC “Assalto ao Castelo”, que revelou existirem dentro do Banco do Portugal relatórios onde a idoneidade de Ricardo Salgado já era questionada. “Se o governador me tivesse dado uma palavrinha que fosse que eu deveria sair, pode ter a certeza que eu o faria na hora”, afirmou o ex-banqueiro à porta do Tribunal de Santarém, onde está a ser julgado o pedido de impugnação da multa de 4 milhões de euros que o Banco de Portugal aplicou ao ex presidente do BES.

“Nunca tive uma palavra do governador nesse sentido, a tal ponto que o governador pediu para proceder à liderança na família da transição para uma gestão mais profissional e foi isso que eu fiz”, acrescentou. “Sem ser nesse aspeto, acho que [a reportagem] tem coisas interessantes, mas o fundamental, que me parece que é a conclusão, é a referência ao facto de o governador ter podido eventualmente dispensar-me da atividade bancária e nunca o ter feito. Mas essa matéria já estava muitíssimo debatida na comissão parlamentar de inquérito”, acrescentou ainda o ex-banqueiro.

Salgado nega pagamentos a Sócrates

O ex-presidente do BES disse ainda que não recebeu qualquer notificação para ser interrogado de novo no âmbito da Operação Marquês, tal como está a acontecer aos outros arguidos. E garantiu que nunca subornou o antigo primeiro-ministro. Ricardo Salgado diz que não fez qualquer pagamento a José Sócrates. “Não é verdade?”, perguntou a jornalista. “Não, não”, respondeu.

Sobre as notícias vindas a público nos meios de comunicação social sobre o interrogatório a Ricardo Salgado, Francisco Proença de Carvalho, advogado do ex-banqueiro, defendeu que apenas a parte “que interessava eventualmente para juízos pré-condenatórios” foi divulgada e considera “lamentável, ilegal” que os relatórios “incompletos” tenham chegado a público. Proença de Carvalho está à espera de “consequências para aquilo que foi a divulgação dos interrogatórios”.