Macron é o novo presidente de França e uma das suas primeiras decisões será escolher um primeiro-ministro Uou primera-ministra). Segundo o jornal Les Echos, Macron quer que a agitação legislativa comece já este verão com a apresentação dos seus planos para reduzir a despesa em cerca de 60 mil milhões de euros e eliminar as taxas sobre a habitação de cerca de 80% dos agregados familiares franceses.

Já ao L’Express, Macron explicou que quer fazer passar rapidamente “uma lei de moralização da política que acabe com o nepotismo e abuso do cargo” mas também detalha que, na área da economia, pretende conduzir uma auditoria às finanças públicas, simplificar a burocracia imposta a alguns setores e “fazer um tour das capitais europeias” para falar das possibilidades de “um mapa a cinco anos” para o desenvolvimento tecnológico, comercial e industrial do bloco, bem como para o controlo da imigração e da poluição.

Logo a seguir na lista está a reforma da lei do trabalho, onde o parlamento “terá menos controlo”, como diz ao L’Express. Uma reforma que vem no seguimento daquela que foi feita com François Hollande e que levou milhares de franceses às ruas em protesto. Algumas destas novas medidas são controversas e colocam em causa o lugar dos sindicatos e da segurança social na vida dos franceses.

A gigante recrutadora Randstad disse recentemente que a “flexibilização do trabalho” e a “competitividade” da França eram fatores essenciais para o crescimento económico. Macron defende isso mesmo — mais flexibilidade, mais competitividade:

  • Autorizar que uma empresa possa negociar com os seus trabalhadores contratos individuais em vez de ter que se ajustar aos acordos coletivos para todo o setor, sempre que essa empresa consiga provar que está em dificuldades;
  • Legalizar a possibilidade de despedimentos nas companhias com menos de 10 empregados, no caso de se verificar que apresentam resultados negativos.

Ao mesmo tempo, Macron diz que os franceses “têm de se aperceber que trabalhar é melhor que não trabalhar”, e por isso aperta nas condições de acesso ao subsídio de desemprego ao mesmo tempo que investe na formação dos desempregados. Algumas das medidas que defende passam por:

  • Criar um seguro-desemprego universal porque “não podemos prometer a segurança no emprego num mundo onde as mudanças tecnológicas tornam certos empregos obsoletos”. Isto aplica-se também a quem esteja empregado por conta própria e a quem se despeça;
  • Desenvolver formação profissional para uma tarefa específica: quando uma empresa ou um setor inteiro desaparecem as pessoas terão que entrar em regimes que pressupõem a aprendizagem de uma nova carreira;
  • Desenvolver regras mais justas dentro da Europa para pôr um fim ao que chama “dumping social” — ou seja, impedir que as empresas possam mudar a sua produção para outro países.

Na questão da imigração, refere no seu manifesto que a situação não é assim tão dramática. No início do capítulo dedicado à imigração Macron diz que “França é um país velho nisto da imigração, com uma quota de imigrantes relativamente estável ​​– menos de 10% da população — e uma imigração legal anual moderada de cerca de 210 mil autorizações de residência emitidas por ano”.

A sua aposta é mais na integração dos novos imigrantes, do que na imposição de um limite no número de entradas — o que também se prende com a necessidade de apoiar comunidades com uma forte presença muçulmana, que Macron quer ver a abraçar os valores da República. Algumas medidas:

  • Todos os estrangeiros terão formação linguística adequada para atingirem o nível B1, necessário para aceder à naturalização;
  • Os valores da República devem ser “enfatizados” e o seu conhecimento deve estar presente nos serviços públicos e no mundo do trabalho. Foco nos direitos das mulheres e no secularismo;
  • Implementação de programas de integração ao nível local. Os municípios serão incentivados a realizar mais ações de integração (monitorização de potenciais elementos radicalizados, mediação sociocultural);
  • Mais 5,000 homens para a nova Agência Europeia de Segurança;
  • Desenvolver ações e projetos nos principais países de origem e de trânsito de migrantes.

Do seu manifesto constam ainda várias medidas culturais, uma preocupação que, de resto, aparece no primeiro ponto do programa eleitoral, ao lado da educação. Além de querer instituir a paridade nas posições de direção nas instituições culturais Macron propõe também a criação de um “Netflix” europeu com as melhores séries e os melhores filmes produzidos na Europa.