Pedro Sánchez venceu, este domingo, as eleições primárias do Partido Socialista Operário Espanhol (PSOE) com cerca de 50% dos votos dos militantes. O ex-líder socialista volta assim a ocupar o cargo que deixou há cerca de oito meses, tornando-se no primeiro secretário-geral a ser eleito duas vezes pelos militantes do partido.

Temos de reconhecer que quem ganhou hoje foi PSOE e quando ganha o PSOE, ganha Espanha”, afirmou Sánchez, esta noite, no discurso de vitória.

O socialista prometeu ser “o secretário-geral de todos e todas”. Comprometeu-se a criar “um novo PSOE”, um partido “credível” e “unido” — aquilo que, segundo Sánchez, mais teme Mariano Rajoy, Presidente de Governo e líder do Partido Popular — e “a caminho de Moncloa [sede do governo espanhol]”.

Sánchez garantiu ainda que o partido socialista será “uma oposição útil”, que irá lutar contra “a corrupção do PP [Partido Popular]”. “Vamos fazer do PS o partido da esquerda do país”, disse o recém-eleito secretário-geral.

Somos uma grande família, somos a família do partido socialista”.

O novo secretário-geral será confirmado no congresso do PSOE, que se realiza a 17 e 18 de junho.

Recorde-se que Pedro Sánchez demitiu-se do cargo de secretário-geral em outubro de 2016, depois de a sua estratégia de recusar um Governo do PP ter sido chumbada por dirigentes nacionais do PSOE. Os socialistas acabaram por viabilizar um Governo liderado por Mariano Rajoy ao absterem-se na votação no parlamento.

Com 99,23% dos votos contados, Sánchez soma 50,21% dos votos (74.223 votos). Segue-se Susana Díaz, presidente da Comunidade Autónoma da Andaluzia, com 39,94% (59.041 votos) e Francisco Javier “Patxi” López com 9,85% (14.571 votos).

De acordo com o El Mundo, Sánchez venceu em quase todas as províncias, à exceção da Andaluzia, onde venceu Díaz. Patxi López apenas venceu no País Basco.

Segundo o coordenador de comunicação da candidatura de Sánchez, Susana Díaz não esperou pelos resultados finais para dar os parabéns ao novo secretário-geral pela vitória.

No seu discurso, Díaz disse estar à disposição do partido para aquilo que fosse preciso, desejando boa sorte “ao novo secretário-geral”. Também Patxi López desejou boa sorte ao recém-eleito secretário geral — nenhum dos dois mencionou o nome de Pedro Sánchez, acrescentando que à espera do PSOE está a “sociedade espanhola” para que o partido “volte a ser a alterantiva” no país.

Coube aos 187.949 militantes eleger o novo secretário-geral do partido. Uma votação com participação histórica: cerca de 80,35%, avança o PSOE. Segundo o El Mundo, às 14h de hoje já tinham votado 51% dos militantes do partido– quase mais 20 pontos percentuais do que em 2014, à mesma hora.

As urnas abriram este domingo às 10h locais e fecharam às 20h (19h em Portugal) — nas Canárias podia-se votar até às 21h.