O nome de Salman Abedi como o responsável pelo ataque terrorista de Manchester foi confirmado a meio da tarde desta terça-feira pelas autoridades. Pouco depois, começaram a surgir as primeiras imagens do bombista suicida, de 22 anos, responsável pelo ataque no Manchester Arena que vitimou 22 pessoas e fez 64 feridos. Muitos deles encontram-se em estado grave.

Tudo indica que Salman Abedi não tenha agido sozinho. Numa curta conferência de imprensa, Ian Hopkins, chefe da Polícia de Manchester, afirmou que “é bastante claro que estamos a investigar uma rede”. Segundo a BBC, a bomba usada por Abedi terá sido fabricada por outra pessoa. Isto significa que o jovem de 22 anos terá sido apenas encarregue de a transportar até ao local do ataque. Ao canal de televisão, Amber Rudd, secretária de Estado britânica para os Assuntos Internos, disse que o atentado “foi mais sofisticado” do que outros levados a cabo no país e que “parece provável que ele não tenha feito isto sozinho”.

Entre a tarde de terça-feira e esta quarta-feira, foram detidos cinco indivíduos em Manchester, suspeitos de estarem ligados ao ataque. Um dos suspeitos é o irmão do bombista, Ismael Abedi, de 23 anos. Um outro irmão, Hasmen, foi detido em Trípoli, na Líbia, por suspeitas de ligações ao Estado Islâmico. A informação foi avançada pela Rada, uma organização anti-terrorista líbia. Hasham, de 20 anos, vivia com os pais na capital da Líbia. Foi detido na noite de terça-feira. O pai dos irmãos Abedi, Ramadan, também foi detido na capital Líbia por uma força anti-terrorista.

Um jovem “discreto” com dificuldades em ajustar-se ao modo de vida europeu

Salman Abedi nasceu em 1994, na cidade de Manchester, no seio de uma família de origem líbia. O terceiro de quatro filhos, frequentou, entre 2009 e 2011, a Burnage Academy for Boys na mesma localidade, informação que começou por ser avançada pela BBC e que foi entretanto confirmada pela escola em comunicado:

“Podemos confirmar que o Salman Abedi andou na Burnage entre 2009 e 2011. Como ainda está a decorrer a investigação, sabemos que a imprensa vai compreender que é do interesse público para nós não avançarmos mais nada de momento”, informou o estabelecimento de ensino numa breve nota.

Depois disso, terá estudado negócios e gestão na Universidade de Salford que, na tarde de terça-feira, foi evacuada depois de ter sido encontrado um pacote suspeito debaixo de um banco. A sua entrada na universidade deu-se em 2014 e, de acordo com alguns jornais, terá abandonado o curso em 2016. A CNN, porém, refere que o jovem ainda estava inscrito no estabelecimento de ensino mas que não frequentava as aulas. Terá também estudado no Centro Islâmico de Manchester.

Hamid El-Sayed, que trabalhou para as Nações Unidas e que agora colabora com a Universidade de Manchester, contou à BBC que Abedi tinha uma relação complicada com a família. Citando um amigo próximo dos Abedi, El-Sayed afirmou que os pais do jovem tinham tentado levá-lo “para o caminho certo” mas que tinham “falhado”. Os maus resultados escolares levaram, eventualmente, à sua desistência da faculdade. “Eles tentaram levá-lo várias vezes para a Líbia. Ele tinha dificuldades em ajustar-se ao modo de vida europeu”, relatou o antigo trabalhador das Nações Unidas.

Abedi terá vivido (ou tinha ligações) a Fallowfield, na zona sul de Manchester. O local foi alvo de buscas policiais na tarde de terça-feira. Atualmente, o bombista residia perto da Manchester Arena (a cerca de cinco quilómetros), num bairro tranquilo, segundo o The New York Times.

Um cidadão líbio, residente em Manchester, contou ao The Guardian que Abedi era “um jovem muito discreto, sempre muito respeitoso”. “O seu irmão Ismael era muito mais sociável. Salman era muito reservado”, disse ainda.

De acordo com Richard Engel, correspondente da NBC News, o bombista terá sido identificado pelas através do seu cartão de multibanco, que trazia no bolso. Engel, que divulgou a informação através do Twitter, cita uma fonte oficial norte-americana.

Conhecido das autoridades — “até certo ponto”

Gérard Collomb, ministro do Interior de França, revelou durante uma entrevista à televisão francesa que Salman Abedi se radicalizou depois de uma viagem à Líbia e à Síria. “É um cidadão de nacionalidade britânica, de origem líbia, mas que cresceu na Grã-Bretanha e que, de repente, depois de uma viagem à Líbia e sem dúvida à Síria, se radicalizou e decidiu cometer este atentado”, afirmou Collomb. “Hoje sabemos o que os investigadores britânicos nos disseram.”

A ministra do Interior, Amber Rudd, em entrevista à Sky News afirmou que o Abedi era conhecido das autoridades “até certo ponto”, não confirmou porém que estivesse referenciado. Questionada sobre o bombista, disse que há suspeitas de que tenha regressado há pouco tempo da Líbia e que não tenha agido sozinho.

Contactado pela Associated Press, o pai do Salman Abedi, que vive em Trípoli, confirmou que o filho esteve na em Trípoli há seis semanas e que planeava viajar até à Arábia Saudita. À agência de notícias, Ramadan Abedi garantiu que o filho está inocente: “Não acreditamos em matar pessoas. Não somos assim”, disse.

Por confirmar está que o jovem tenha sido orientado pelo Estado Islâmico, que reivindicou o ataque num comunicado divulgado na terça-feira. Uma investigação realizada pela Sky News, porém, refere que Abedi estava em contacto com uma célula do grupo jihadista que operava em Manchester. O bombista terá crescido num bairro onde vários jovens se radicalizaram.

Artigo atualizado pela última vez às 20h40 de 24/5