O roubo de armamento militar em Tancos está ligado a uma rede de “crime organizado” e não ao jihadismo. A notícia está a ser avançada pelo jornal espanhol El Mundo, que cita fontes do ministério do Interior espanhol.

Esta terá sido uma informação transmitida pela ministra da Administração Interna, Constança Urbano de Sousa, ao seu homólogo espanhol, Juan Ignacio Zoido, durante o encontro sobre segurança que decorreu esta segunda-feira em Sevilha, entre Portugal, Espanha, França e Marrocos, lê-se no jornal espanhol — uma versão negada pela ministra portuguesa. “A notícia difundida pelo El Mundo não corresponde à verdade. Apenas esclareci o ministro do Interior de Espanha que as investigações estavam a cargo da Polícia Judiciária, que em Portugal é tutelada pelo Ministério da Justiça, pelo que não dispunha, nem podia dispor de informações detalhadas sobre investigações em curso”, refere Urbano de Sousa num esclarecimento enviado às redações, já esta tarde. “Apenas afirmei que as autoridades portuguesas estavam a fazer tudo o que estava ao seu alcance para investigar este caso”, sublinha a ministra da Administração Interna.

O El Mundo destaca ainda que este roubo gerou não só um “enorme alarme” a nível internacional, como uma “consequente polémica política” em Portugal, devido à “falta de segurança no depósito do Exército”, responsável por guardar o armamento militar.

Esta polémica política levou esta segunda-feira a líder do CDS, Assunção Cristas, a pedir a demissão de Azeredo Lopes, após um encontro com o Presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa.

Também hoje o ministro dos Negócios Estrangeiros adiantou que Portugal está a desenvolver “todas as medidas para reaver o material [de guerra] roubado”, tendo ainda considerado a situação “muito grave”.

Ainda este fim de semana, outro jornal espanhol, o El Español, divulgou a lista do armamento roubado em Tancos, apesar de o Exército português não ter querido revelar qual o material roubado para não prejudicar a investigação.