A duas semanas e dois dias do referendo pela independência na Catalunha, a “Sindicatura Electoral”, uma espécie de Comissão Eleitoral temporária estabelecida apenas para esta consulta, dissolveu-se para evitar represálias por parte das autoridades espanholas.

Na quarta-feira, Madrid ordenou uma série de buscas aos escritórios dos organismos públicos catalães suspeitos de estarem a organizar o referendo que o Tribunal Constitucional espanhol já considerou ilegal por colocar em cheque a unidade territorial do país.

Nesse processo, 14 pessoas foram presas — entretanto libertadas — e um total de 20 estão a ser investigadas. Condição para a libertação: que, a partir de agora, se comprometam a não colaborar mais com a organização do referendo e que se apresentem todos os meses às autoridades.

Referendo na Catalunha: é proibido, mas pode acontecer?

Num outro processo, a cargo do Constitucional de Espanha e não do Tribunal de Instrução como foi o caso dos processos das 14 pessoas, cinco nomes da tal Comissão Eleitoral tinham sido multados a pagar 10 mil euros por dia e por isso renunciaram aos seus cargos.

Eleitos pelo Parlamento catalão para encabeçarem esse organismo, criado depois da aprovação da Lei do Referendo, contavam entre as suas funções a eventual verificação dos resultados e do cadastro eleitoral mas, segundo o cientista político Jordi Matas — e ex-presidente deste organismo — essas funções serão agora “deixadas a cargo dos académicos e dos observadores”, disse, citado pelo diário El País.

Estudantes ocupam Universidade

Cerca de 3,000 alunos reuniram-se esta sexta-feira na Plaza Universitat, que ocuparam completamente, tomando também depois o Edifício Histórico da Universidade de Barcelona (UB) em defesa da realização do referendo agendado para dia 1 de outubro.

A concentração foi organizada pela plataforma “Universidades por la República”, que leram um manifesto onde denunciaram as “práticas antidemocráticas” do governo espanhol, pediram a libertação de todos os detidos e dos mais de nove milhões de boletins de voto apreendidos pela Guarda Civil na quarta-feira.

Os manifestantes ocuparam os jardins e as imediações da UB na quinta-feira, muitos dormindo à porta de quinta para sexta. Sem oposição, pela manhã entraram nas instalações para desenvolver, durante este fim-de-semana, uma maratona “pela democracia”. Esta concentração foi convocada pelo sindicato estudantil Sindicat d’Estudiants dels Països Catalans, cuja porta-voz Mercè Tarés, disse à agência espanhola de notícias EFE que os estudantes permanecerão “de maneira indefinida” nas instalações e “podem ocupar a reitoria”.

Mercè Tarés disse ainda que o protesto visa “lutar para que se possa votar a 1 de outubro” e continuar “a viver um momento político tão importante”. A porta-voz explicou que os estudantes denunciam o “comportamento antidemocrático e repressivo” nos últimos dias do governo “reminiscente de Franco”.

Falando no mesmo protesto, David Fernàndez, ex-deputado do partido de esquerda CUP, colocou em cima da mesa a possibilidade de convocar uma greve geral em resposta às buscas e às prisões realizadas pelo Governo espanhol.”É o único caminho”, disse Fernandez acrescentando ainda que o governo “tem a ilusão que as ruas serão sempre deles”, e pediu à audiência para não ter medo de votar no dia 1.