O ex-líder parlamentar do PSD, Luís Montenegro, disse esta quarta-feira que é um dos militantes que “tem a responsabilidade de fazer a ponderação, a avaliação do momento”, não excluindo a hipótese de uma candidatura à liderança do PSD. No espaço de comentário “Almoços Grátis” — que partilha com Carlos César na TSF –, Luís Montenegro garante que a sua decisão de avançar “não depende de ninguém“, mas apenas da “avaliação que fizer”. E fala na “premeditação” de Rui Rio.

Luís Montenegro explica que este é o “momento, de ouvir muitas pessoas, de ter todos os indicadores, para tomar uma boa opção. Para ter uma liderança forte. Para reerguer este partido“. O ex-líder parlamentar diz estar “muito tranquilo a fazer esse exercício”, até porque “passaram ainda poucas horas” da decisão do atual líder de se recandidatar. Logo, “qualquer militante deve encarar com toda a serenidade” este momento.

Montenegro atirou a Rio, falando da ação “premeditada” que tinha para atacar a liderança e que “não dependia da ação do presidente do partido“. Ainda assim, destaca que Rui Rio “faz muito bem assumir essa posição. É legítimo”. Garante ainda que, ele próprio, não tinha nada pensado, já que estava “convencidíssimo” que iria continuar a apoiar a liderança de Passos após as autárquicas. “Este resultado não estava nas cogitações de ninguém”, disse Montenegro.

Luís Montenegro disse ainda que respeita e compreende a decisão de Passos Coelho, acreditando que o ainda líder do PSD tomou a decisão de não se recandidatar “a pensar no partido e no país”. O antigo líder parlamentar do PSD diz que é claro que “o PS venceu estas eleições” e que o resultado “ficou muito aquém das expectativas, embora não seja um resultado que possa ser considerado catastrófico”. Lembrou, por exemplo, que o PSD teve um “resultado bruto eleitoral superior” (em termos de votos), destacando que os sociais-democratas perderam “16 câmaras para o PS”, mas recuperaram onze”. Ou seja: No balanço, perderam cinco.

Montenegro recusou-se a dizer se Passos fez “bem” ou “mal”, já que essa é uma “apreciação individual”, que esteve relacionada com o líder perceber a “dificuldade de afirmação que tinha na abordagem que tinha ao próximo ciclo eleitoral que vai desembocar nas próximas legislativas.” Até porque, recorda, o PSD precisa de ter maioria absoluta para governar.

Pinto Luz “atento”, Hugo Soares quer “reganhar” função pública e pensionistas

O ex-líder da distrital do PSD/Lisboa, Miguel Pinto Luz — cujo nome para a liderança do partido foi lançado por Miguel Relvas numa entrevista recente ao Expresso — disse esta manhã à TSF a admitir que está “preocupado com o partido e com o país“. Sobre a sua eventual candidatura limitou-se a dizer: “Estou atento, estou a observar (…) e naturalmente, fico agradecido que o partido se lembre do meu nome, mas nunca me coloquei em bicos de pés”.

Nas mesmas declarações à TSF, Pinto Luz pediu uma renovação no partido, já que recusa-se a “andar 10 páginas para trás e ver os rostos de sempre”. O antigo líder da distrital é um dos rostos do aparelho passista, falou nos vários “candidatos que se colocam”, mas fez uma referência direta a Paulo Rangel, que considera ser “um homem que já deu a cara pelo partido em diversas frentes“.

A vice-presidente do PSD Teresa Morais, também à TSF, defendeu que “o PSD não tem um melhor líder que Passos Coelho” e que esta fase “não é nenhuma segunda oportunidade para o PSD”, já que “o PSD perde o seu melhor“. E acrescenta que “os que estão a comemorar” a saída de Passos “são os que promovem as manhas e a chico espertice” na política.

Já o líder parlamentar, Hugo Soares, à mesma rádio, afirmou que é necessário “o PSD reganhar a confiança de alguns setores do eleitorado que não têm estado com o PSD: a função pública e os pensionistas” e sugeriu que o PSD promova uma “nova forma de fazer política.”