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José Eduardo Martins deixa Assembleia Municipal de Lisboa

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José Eduardo Martins, que foi cabeça de lista do PSD à Assembleia Municipal de Lisboa, foi surpreendido com a apresentação de uma segunda lista. Luís Newton foi eleito e Martins saiu.

ESTELA SILVA/LUSA

José Eduardo Martins vai suspender o mandato na Assembleia Municipal de Lisboa por tempo incerto — pelo menos até às eleições internas do PSD. Em causa está o facto de ter sido feita uma segunda lista para a bancada do PSD na Assembleia Municipal de Lisboa, da qual só teve conhecimento meia hora antes da eleição.

José Eduardo Martins, que foi o cabeça de lista do PSD à Assembleia Municipal nas autárquicas, seria o líder mais evidente à bancada do PSD no município, mas quem acabou por ser eleito na votação desta noite foi Luís Newton, presidente da junta de freguesia da Estrela. Ao Observador, José Eduardo Martins critica a atuação da comissão política distrital, liderada por Pedro Pinto, que acusa de ter “promovido” a confusão.

A notícia foi avançada pela TSF e confirmada pelo Observador. Numa reunião realizada no passado dia 17 com a grande maioria da lista do PSD a Lisboa, José Eduardo Martins mostrou-se disponível para liderar a bancada depois de ter encabeçado a lista para aquele órgão municipal nas eleições autárquicas do dia 1, não tendo recebido oposição. “Pensei que fosse uma responsabilidade natural de quem se candidata”, disse. Apenas três elementos da lista não terão estado presentes nessa reunião, incluindo Luís Newton, presidente da junta de freguesia da Estrela e Mafalda Cambeta, ex-presidente da concelhia da JSD/Lisboa e assessora na junta de freguesia da Estrela e no gabinete de vereadores do PSD na Câmara de Lisboa.

São 12 os deputados municipais do PSD, entre oito eleitos nestas autárquicas e quatro presidentes de junta que têm assento por inerência. António Prôa, que nos últimos quatro anos foi vereador do PSD em Lisboa, e a histórica social-democrata Virgínia Estroninho, tinham já aceitado integrar a direção da bancada do PSD na Assembleia Municipal, que seria então liderada por José Eduardo Martins. A direção tem por norma sete elementos, mas uma vez que foram eleitos apenas oito (mais quatro por inerência), José Eduardo Martins tinha proposto alterar essa norma, de forma a que a direção pudesse ser mais restrita, e proporcional.

Mas a proposta não chegou a acontecer. Cerca de meia hora antes da reunião convocada para esta quinta-feira às 20h, para eleger a direção da bancada municipal, Luís Newton terá aparecido com uma lista e com a informação de que tinha falado com a comissão política distrital, que não se tinha oposto a que avançasse. Contactado pelo Observador, o presidente da distrital do PSD/Lisboa, Pedro Pinto, demarcou-se da situação, dizendo apenas que sabia da intenção de ambos, mas sublinhando que não estava por dentro do que se tinha passado na reunião onde ia ser feita a eleição.

Ao Observador, José Eduardo Martins afirma que “nunca estaria aqui contra a vontade de ninguém”, razão pela qual decidiu não ir a votos quando Luís Newton o informou da intenção de avançar para a liderança da bancada. “Somos muitos poucos para haver duas listas. É neste momento que se percebe porque é que o PSD não é mais eficaz na oposição em Lisboa”, dizia à TSF, criticando a confusão “promovida pela comissão política distrital”. A suspensão do mandato, explica, é por tempo incerto. Mas será pelo menos até terminar o processo de eleições internas no partido, que tem diretas em janeiro e congresso em fevereiro.

Quem acabou então por ser eleito líder da bancada do PSD na Assembleia Municipal foi Luís Newton, envolvido no caso Huawei, que chegou à PGR depois de este presidente de junta, um deputado e um vereador do PSD terem feito uma viagem à China com estadia e os voos foram pagos pela empresa de telecomunicações chinesa.

Luís Newton também se viu envolvido no caso dos ajustes diretos, noticiado pelo Observador em julho, que dá conta de que três juntas de freguesia lideradas pelo PSD no concelho de Lisboa (entre elas a da Estrela), entre avenças e contratos atribuídos por ajuste direto a empresas de militantes do PSD, gastaram, no total, mais de um milhão de euros desde o início do mandato.

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