Sayfullo Habibullaevic Saipov, 29 anos. É esta a identidade do atacante que matou pelo menos oito pessoas e feriu outras 12, na sequência do ataque levado a cabo esta terça-feira em Nova Iorque.

De acordo com a informação avançada pelo governador de Nova Iorque, Saipov “está ligado” ao Estado Islâmico e “radicalizou-se” nos Estados Unidos. No entanto, Sayfullo Saipov não estaria a ser investigado pelo FBI ou serviços secretos. O New York Times adianta que Saipov estaria a planear esta ataque há um quase ano, que resolveu utilizar um jipe e não outro veículo há perto de dois meses e que a escolha da data (durante a celebração do Halloween) foi propositada, pois sabia que encontraria mais gente nas ruas de Nova Iorque.

Em declarações ao canal de televisão norte-americano CNN, o governador do estado de Nova Iorque, Andrew Cuomo, confirma as indicações que já tinham sido referidas por alguns órgãos de comunicação social, segundo os quais o atacante terá deixado uma mensagem, escrita em árabe, na qual manifestará aliança ao grupo terrorista. Segundo o jornal New York Times, a mensagem, juntamente com uma bandeira do Estado Islâmico, terá sido encontrada dentro da carrinha utilizada no ataque registado perto do memorial do World Trade Center, em Manhattan.

Ainda que no começo as fontes ouvidas pelo New York Times frisassem que nada permitia estabelecer uma ligação direta entre o atacante e o autoproclamado Estado Islâmico — podendo tratar-se apenas de um ataque “inspirado” na atuação do grupo terrorista –, esta quarta-feira o procurador-geral do Distrito de Sul de Nova Iorque, Joon H. Kim, afirmou em conferência de imprensa que Saipov “cometeu este ataque em apoio ao Estado Islâmico”.

Joon H. Kim explicou que as autoridades chegaram a esta conclusão depois de analisarem o telemóvel do atacante e uma mensagem deixada por este no local, mensagem onde se podia ler: “Nenhum deus, mas Deus. E Maomé é o seu profeta”.

Ainda assim, pouco se sabe sobre a identidade e motivações deste atacante. Saipov, de 29 anos, emigrou do Uzbequistão para os Estados Unidos em 2010 e estabeleceu-se no estado do Ohio. Outros imigrantes uzbeques que o conheciam descrevem Saipov como conflituoso, capaz de ser agressivo quer por causa de discussões triviais quer por conversas sobre temas como o Médio Oriente. Na mesquita que frequentava uma ou duas vezes por mês era visto como calado, sem se lhe conhecerem pontos de vista radicais. Pai de três filhos, Saipov terá casado em 2013 e ter-se-á mudado para a cidade de Tampa, no estado da Florida, trabalhando como condutor de camiões.

Entretanto, a procuradoria de Manhattan acusou esta quarta-feira de terrorismo o suspeito do atentado — Saipov foi presente a um juiz, tendo chegado ao tribunal algemado e numa cadeira de rodas. O atacante é acusado de apoio a uma organização terrorista estrangeira e destruição de veículos.

Quanto ao ataque, este foi feito a partir de um jipe alugado. O homem entrou em sentido contrário por uma via exclusiva para ciclistas, junto do rio Hudson, na zona de Tribeca, acabando por embater contra um autocarro escolar do liceu Stuyvesant. As imagens que começaram a chegar do local mostravam um homem — possível atacante –, perto do local do incidente. Essas imagens foram rapidamente difundidas nos media e redes sociais.

Fonte: Twitter

Sayfullo Saipov levava consigo armas no momento do ataque que se vieram a verificar falsas. O homem acabou por ser baleado no abdómen pelas autoridades e detido. Foi depois levado para o hospital, para ser sujeito a uma intervenção cirúrgica. Saipov encontra-se em custódia policial.

Este foi mais um ataque com recurso a um veículo que procurou atingir múltiplos alvos. Um dos elementos da polícia nova-iorquina dizia, durante a conferência de imprensa, que foram feitas ações de sensibilização a vários stands de aluguer de veículos para que tivessem especial atenção ao perfil de quem alugava tais veículos. Tal campanha surgiu na sequência de um artigo publicado numa revista do Daesh (Estado Islâmico), há dois anos, que incitava os terroristas a abandonar o recurso a explosivos e que promovia o uso de veículos para abalroar civis pelas ruas.