Um homem entrou, esta terça-feira, em sentido contrário por uma via exclusiva para ciclistas, junto do rio Hudson, na zona de Tribeca, na baixa de Manhattan, acabando por embater contra um autocarro escolar do liceu Stuyvesant. O ataque resultou na morte de oito pessoas e 12 feridos, dos quais nove permaneciam esta quarta-feira ainda no hospital. O alerta foi lançado pela polícia de Nova Iorque no twitter depois de se terem registado tiros na baixa de Manhattan cerca das 15 horas locais (20 horas em Lisboa) e o atacante foi baleado logo no local. Esta quarta-feira foi presente a tribunal e acusado formalmente de terrorismo.

Sayfullo Saipov terá chegado aos Estados Unidos em 2010 e vivia, atualmente, em Tampa, no estado da Florida. Tem 29 anos e é natural do Uzebequistão. Como explica aqui o Observador, e de acordo com informação oficial, Saipov, “está ligado” ao Estado Islâmico e “radicalizou-se” nos Estados Unidos.

Em conferência de imprensa, o mayor de Nova Iorque, Bill de Blasio, falou logo num “cobarde ato de terrorismo” e avançou que iria ser feito um reforço policial nas ruas ainda durante a tarde e nas próximas noites — noites que se preveem de grande confusão devido à noite de Halloween e ao feriado de 1 de novembro, dia de Todos os Santos. Não há, no entanto, qualquer sinal de que esteja em curso um ataque mais alargado. O reforço de agentes deve-se a uma ação “preventiva”, esclareceu o governador de Nova Iorque, Andrew Cuomo. “Não há evidências que sugiram um ato mais alargado ou esquema mais vasto”, garantiu.

Ainda assim, Cuomo pediu aos nova-iorquinos que se mantenham “vigilantes” nos próximos dias. “A verdade é que Nova Iorque é um símbolo internacional de liberdade e democracia, é o que somos e temos orgulho, mas isso também nos torna uma alvo”, admitiu, sublinhando, várias vezes, que “não há uma ameaça em curso”. Para prová-lo, a tradicional parada de Halloween desta noite continua confimada. “Se mudamos a nossa forma de viver, eles ganham e nos perdemos”, defendeu o governador.

Durante a conferência de imprensa, o mayor de Blasio avançou mais informações sobre o atacante. Depois de conduzir centenas de metros por um percurso de ciclistas, o atacante embateu contra um autocarro escolar, ferindo duas crianças e dois adultos. Abandonou o jipe, alugado, e passados alguns segundos foi atingido no abdómen por agentes da polícia de Nova Iorque.

Relativamente às vítimas, seis delas morreram no local e eram homens; outras duas vítimas foram depois transportados para o hospital, acabando por morrer. Cinco das oito vítimas mortais eram de nacionalidade argentina.

Donald Trump já reagiu ao sucedido no seu Twitter onde descreve que o ataque foi feito por uma “pessoa doente e perturbada”. O presidente norte-americano termina exclamando: “Não nos Estados Unidos!”. E esta quarta-feira admitiu enviar o “animal” para Guantánamo.

De acordo com o New York Times, que citava fontes policiais minutos depois de o ataque acontecer, um homem, ao volante de um jipe, teria entrado em sentido contrário por um percurso de ciclistas junto ao rio Hudson, atingindo várias pessoas pelo caminho. O jipe terá, depois, chocado contra um autocarro escolar do liceu Stuyvesant.

As primeiras informações apontavam para que os tiros que se ouviram de seguida tivessem sido disparados pelo homem com recurso a uma arma automática, que trazia consigo — mas esta informação foi contrariada pela polícia, que refere que o homem estava munido de “cópias de armas”, portanto, as armas que tinha consigo não eram reais. A polícia respondeu com tiros tendo chegado a referir-se que o homem tinha sido atingido na perna. O alegado autor do ataque está vivo e vai receber tratamento médico, estando a ser transportado para o hospital pela polícia.

A CBS News emitiu imagens que mostravam o alegado autor do ataque a caminhar pela estrada de forma desorientada, próximo do local onde tinha abandonado o jipe. O Daily Mirror extraiu um frame desse vídeo:

O vídeo difundido pela CBS News mostra um homem, entre os 20 e os 30 anos (que agora se sabe ter 29 anos), a deslocar-se de forma incerta pelo meio da estrada, na zona do incidente. O homem, Sayfullo Saipov, que está a ser identificado como o autor do ataque, parece mover-se sem destino certo, durante alguns segundos. Também parece segurar uma ou mais armas. Terá sido atingido a tiro pelas autoridades segundos depois.

A CNN refere que a polícia admite poder tratar-se de um ataque de inspiração terrorista. Várias testemunhas no local dizem ter ouvido o homem gritar “Alá é grande” quando abandonou o jipe e começou a deslocar-se a pé na zona onde várias pessoas estavam inanimadas. O mayor de Nova Iorque acabaria por confirmar a origem terrorista do ataque, ao referir-se a um “ato de terror e um particularmente cobarde ato de terror” que tirou a vida a “pessoas inocentes”.

Imagem do local do incidente. Marca a vermelho assinala ponto onde ocorreram os atropelamentos.

De acordo com a agência Associated Press, a polícia deslocou-se para a zona junto ao memorial das vitimas do 11 de setembro, o antigo World Trade Center, e algumas testemunhas no local relataram ter visto um carro passar por um local frequentado por ciclistas, atingido várias pessoas a tiro antes de avançar com o carro sobre quem se encontrava na zona. Um fotógrafo da agência de notícias dá conta de uma pessoa estendida no chão, sem se mover.

Começaram entretanto a surgir nas redes sociais mais imagens e vídeos recolhidos no local.

Nos primeiros minutos, jornalistas relatavam cinco pessoas atingidas a tiro, nas suas contas twitter. A polícia confirmou a detenção de um homem e sublinha que não há quaisquer suspeitos a monte. As operações de socorro e de investigação ao aparente ataque isolado decorrem no local. A polícia de Nova Iorque pede à população que evite a zona do incidente devido às operações em curso e à concentração de elementos das forças de segurança.

Donald Trump ordena reforço do controlo de estrangeiros

O Presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou ter ordenado o reforço da verificação de estrangeiros que pretendam entrar no país, horas depois do atentado de Nova Iorque.

“Acabei de ordenar ao [Departamento] de Segurança Interna que reforce o nosso já muito rigoroso programa de verificação”, escreveu Trump, na noite de terça-feira, no Twitter.

“Ser politicamente correto é bonito, mas não para isto!”, acrescentou o Presidente dos Estados Unidos.

Uzbequistão promete cooperar “com todos os meios” na investigação

O Uzbequistão, por sua vez, já prometeu cooperar “com todos os meios” no inquérito ao atentado, cujo alegado autor foi identificado como oriundo daquele país da Ásia central.

“O Uzbequistão está disponível para aplicar todas as suas forças e meios na ajuda ao inquérito sobre este ato terrorista”, identificou o presidente usbeque, Chavkat Mirzioïev, citado num comunicado do Ministério dos Negócios Estrangeiros.

Entretanto, sucedem-se as reações internacionais ao atentado de Nova Iorque. China, Rússia ou mesmo o Vaticano já reagiram ao ataque e expressaram as suas condolências a todas as vítimas.

“Expressamos as nossas condolências pelas vítimas e a nossa simpatia para com as famílias que perderam os seus entrequeridos” afirmou em conferência de imprensa uma porta-voz do ministério chinês dos Negócios Estrangeiros, Hua Chunying.

“Apresentamos as nossas condolências. Trata-se de um ataque trágico e desumano”, afirmou o porta-voz do Kremlin, Dmitri Peskov, citado pelas agências russas de notícias.

O papa Francisco, aproveitou a sua mensagem para o Dia de Todos os Santos, na Praça de São Pedro, para condenar os recentes ataques terroristas. Jorge Bergoglio disse que a humanidade “parece não ter aprendido” ou “não quer aprender” a lição sobre as consequências da guerra.

“Estou triste pelos ataques terroristas ocorridos nos últimos dias na Somália, no Afeganistão e ontem [terça-feira] em Nova Iorque”, disse o papa, perante uma multidão de fiéis. “Enquanto lamentamos tais atos de violência, rezo pelos mortos, pelos feridos e pelos seus entes queridos”, adiantou Jorge Bergoglio. Pediu ainda a Deus que “converta os corações dos terroristas e liberte o mundo do ódio e dos assassinos loucos que abusam do nome de Deus para semear a morte”.

De acordo com a informação avançada pelas próprias autoridades argentinas, já é conhecida a identidade de cinco dois oito mortos do atentado de terça-feira. Como explica aqui o Observador, cinco amigos de nacionalidade argentina foram surpreendidos pelo ataque quando se encontravam na cidade norte-americana. Acabariam por não resistir aos ferimentos. Um sexto argentino está internado no Hospital Presbiterano de Manhattan, mas encontra-se fora de perigo.