A criadora da série britânica “Victoria” afirmou ter sido assediada numa reunião em Downing Street, residência oficial do primeiro-ministro, por um alto quadro quando David Cameron era líder do governo. Daisy Goodwin conta, num artigo de opinião para a revista Radio Times, que conheceu o homem em causa — que não quis identificar — num jantar. Posteriormente, foi convidada por email para uma reunião em Downing Street para debater um programa de televisão.

“O homem, que era uns anos mais novo do que eu, levou-me para uma sala dominada por um retrato da senhora T [Margaret Thatcher] (…). Depois, para minha surpresa, ele pôs os pés na minha cadeira (estávamos sentados lado a lado) e disse que os meus óculos de sol faziam-me parecer uma Bond Girl”, relatou Goodwin.

No final da reunião, o homem pôs a mão no peito da produtora televisiva. “No final da reunião, levantámo-nos e o homem, para meu espanto, pôs a mão no meu peito.” Goodwin ainda reagiu à situação, perguntando-lhe: “está mesmo a tocar-me nos seios?”. “Ele deixou cair a mão e riu-se de forma nervosa”, descreveu a produtora, acrescentando que nunca ponderou fazer queixa do homem.

Não me passou pela cabeça denunciar o incidente, estava bem e, no fim de tudo, a quem iria denunciar a situação? Aprendi bem a minha lição. Estas coisas acontecem e tinha aprendido a lidar com elas.”

Foram as recentes denuncias de assédio sexual que levaram a tornar esta história pública. “Mas agora com todas as histórias chocantes que surgiram sobre o comportamento abusivo de homens no poder desde Hollywood até Westminster, pergunto-me se a minha filosofia ‘Keep Calm and Carry on’ [mantém-te calma e continua], herdada dos meus pais, foi a correta. A resposta é: não tenho a certeza.”

Em reação a este artigo de opinião, o porta-voz de Downing Street afirmou que “alegações como estas são tidas seriamente em conta” e, caso haja uma queixa formal, ela será investigada. Mas esta não foi a única situação de assédio pela qual Goodwin passou. No mesmo artigo de opinião, contou que, quando tinha 15 anos, um segurança num comboio em Londres pôs as mãos entre as suas pernas.