Foi através de uma investigação do New York Times que pela primeira vez se soube que o produtor Harvey Weinstein teria assediado sexualmente, impunemente e durante décadas, mulheres em Hollywood — sobretudo atrizes. Outras acusações se seguiriam às de Weinstein: de Kevin Spacey a Dustin Hoffman, do comediante Louis CK ao ex-presidente George H.W. Bush.

Mas o próprio jornal norte-americano está igualmente a ser visado nas acusações.

Glenn Thrush, 50 anos, chegou ao New York Times em janeiro vindo do Politico. É desde então correspondente do jornal na Casa Branca. Agora, Thrush é acusado de assédio sexual por parte de quatro outras jornalistas num artigo publicado esta segunda-feira na Vox e assinado (a escrita é na primeira pessoa) por uma delas, Laura McGann — as restantes três preferiram manter o anonimato.

Laura McGann escreve que Glenn Thrush (um dos mais importantes repórteres políticos norte-americanos da atualidade) tentou, em diversas ocasiões, “beijar e tocar” as jornalistas contra a vontade destas.

Thrush reagiria. E assumiu a culpa. “Peço desculpa a qualquer mulher que se tenha sentido desconfortável com a minha presença. E peço desculpa por qualquer situação em que me comportei de forma inadequada. Qualquer comportamento que faça uma mulher sentir-se desrespeitada e desconfortável é inaceitável”, afirmou em comunicado o jornalista.

Também o próprio New York Times reagiria à história publicada no Vox, tendo de imediato aberto uma investigação ao caso e suspendido Glenn Thrush por tempo indeterminado. “O comportamento atribuído ao Glenn na história da Vox é muito preocupante e não respeita os standards e valores do New York Times. Pretendemos investigar aprofundadamente [o alegado assédio sexual de Glenn Thrush] e, enquanto a investigação decorrer, o Glenn será suspenso”, explicou o jornal, também em comunicado.

Glenn Thrush encontrava-se a escrever (juntamente com Maggie Haberman, também ela correspondente do New York Times na Casa Branca) um livro sobre Donald Trump. A editora Random House garante que “o assunto está a ser tratado de perto e com seriedade”, não adiantando se vai cancelar ou não a publicação.