A Grécia e os credores têm de alcançar um acordo até ao verão sobre a forma como a Atenas irá sair do seu terceiro resgate e já sobre como se irá lidar com as medidas de alívio da dívida grega no médio prazo, disse o comissário europeu dos Assuntos Económicos, Pierre Moscovici, durante uma visita a Atenas.

O tema é controverso e tem pouco ou nenhum apoio da parte dos credores gregos, em especial da linha dura do Eurogrupo e dos países bálticos, mas o responsável europeu manifestou-se “especialmente otimista” em Atenas de que pelo menos parte das pretensões gregas chegarão a bom porto.

“Penso que em junho tem de haver um acordo global sobre como concluir o programa, mas também sobre como lidar com as medidas de (alívio da) dívida no médio prazo”, afirmou, depois de um encontro com o primeiro-ministro grego, Alexis Tsipras.

A reestruturação da dívida grega é uma pretensão antiga do atual governo grego, que defende que tal já tinha ficado acordado em novembro de 2012, mas os países da zona euro têm mostrado a sua oposição e dizem que o acordo só garante uma conversa sobre o tema, depois de Atenas terminar o programa e se o fizer com sucesso, e se nessa altura ainda se justificar.

No entanto, os gregos enfrentam outro problema mais urgente depois do programa terminar. Como o seu rating está em nível considerado especulativo pelas agências, a dívida pública grega só é aceite pelo Banco Central Europeu como garantia no financiamento que dá aos bancos graças a uma dispensa especial aplicada a países sob resgate.

Quando o resgate terminar, se a Grécia não sair com um programa cautelar – algo que as partes têm mostrado pouca vontade em fazer –, o BCE deixa de poder aplicar essa dispensa, o que deixaria os principais bancos gregos com dificuldades em financiar as suas operações. A única alternativa seria aceder ao financiamento de emergência do banco central grego, uma alternativa mais cara e sujeita a autorização, mais uma vez, do BCE.