Rick Gates, antigo subdirector da campanha eleitoral de Donald Trump, vai declarar-se culpado dos crimes de fraude fiscal de que é acusado enquanto “braço direito” de Paul Manafort, outro dos homens-fortes da equipa que levou Trump à presidência dos Estados Unidos. Segundo o New York Times, esta decisão é um forte indicador de que Gates está disposto a colaborar com Robert Mueller, o procurador especial que investiga as ligações entre a Rússia e a eleição de Donald Trump.

Em outubro, a investigação à alegada interferência russa nas eleições para a Casa Branca, conduzida pelo procurador especial Robert Mueller, acusou formalmente Manafort e Gates de vários crimes, incluindo “conspiração” contra os Estados Unidos e ausência de registo (enquanto agentes no estrangeiro) para trabalhos que fizeram para um partido político ucraniano pró-Rússia.

Este acordo, diz o New York Times, poderá ser um forte sinal de que o ex-subdiretor da campanha de Trump estará disposto a passar informação relevante ao FBI em troca de um castigo mais leve. Os documentos judiciais indicam que Gates pode enfrentar uma pena de entre 57 a 71 meses de prisão, mas o procurador especial Robert Mueller pode pedir a sua redução se se confirmar a sua colaboração. Recorde-se que Rick Gates se manteve na equipa de Trump mesmo depois de Paul Manafort ter saído.

Aperta-se, assim, o cerco aos dois ex-assessores do presidente dos Estados Unidos, que nos últimos dias viram as acusações aumentar: há 16 crimes de falsas declarações de rendimentos, sete acusações de ocultação de contas bancárias no estrangeiro, cinco acusações de conspiração para fraude bancária e quatro acusações de fraude bancária.

Numa carta (que foi divulgada pela ABC) enviada a amigos e à família mais próxima, Gates negava o acordo com a justiça, mas explica: “Apesar do desejo inicial de me defender vigorosamente (…) a realidade de quanto tempo o processo vai demorar, os custos, e a atmosfera circense para um julgamento antecipado são demais”. E conclui: “Vou servir melhor a minha família ao avançar e para a saída deste processo”.

Paul Manafort, no início deste ano, processou Robert Mueller, argumentando que a nomeação do procurador especial  “excedeu os limites legais”.