Depois de dois dias detido nas instalações da Polícia Judiciária na cidade francesa de Nanterre, Nicolas Sarkozy foi indiciado, esta quarta-feira, pelos crimes de “corrupção passiva”, “financiamento ilegal de campanha eleitoral” e “ocultação de fundos públicos da Líbia”, avança o jornal Le Monde.

Sarkozy foi levado para as instalações da polícia na terça-feira onde foi interrogado pelos investigadores que suspeitam de que a campanha eleitoral de 2007 foi ilegalmente financiada com fundos da Líbia. O ex-primeiro ministro francês esteve a ser ouvido durante 25 horas.

Nicolas Sarkozy respondeu às perguntas dos agentes da divisão anticorrupção, que o interrogaram na sede da Polícia Judiciária de Nanterre, nos arredores de Paris. Os juízes agora podem imputá-lo, se considerarem que existem elementos acusatórios suficientes ou deixá-lo em liberdade sem acusações. E é esta decisão que o Le Monde está já a avançar: que o ex governante será acusado de três crimes.

Segundo a imprensa, citada pela agência Efe, os investigadores têm evidências que sugerem que Sarkozy recebeu dinheiro do regime líbio, entre eles do intermediário Ziad Takieddine, que reiterou neste dia as entregas de capital, tanto ao então candidato, como ao seu responsável de campanha Claude Géant.

O processo judicial teve origem num documento líbio, publicado em maio de 2012 no site de informação “Médiapart”, no qual é revelado que o ex-chefe de Estado francês teria recebido dinheiro do antigo líder líbio Muammar Kadafi. Sarkozy sempre negou as acusações, classificando-as de “manipulação e crueldade”.