Rádio Observador

Reino Unido

Reino Unido vai apelar aos líderes europeus para expulsarem espiões russos

Primeira-ministra britânica vai apelar no Conselho Europeu desta quinta e sexta para a expulsão dos espiões russos dos vários países da UE. Objetivo é travar a rede de espiões de Putin na Europa.

AFP/Getty Images

O Reino Unido vai apelar aos líderes europeus, na reunião do Conselho Europeu desta quinta e sexta-feira, para expulsarem os agentes de inteligência russos radicados nos seus respetivos países, com vista ao desmantelamento da rede de Putin espalhada pela Europa. Em causa está o envenenamento do ex-espião russo Sergueï Skrip e da filha, em Salisbury, Reino Unido, no início do mês, com recurso a um agente nervoso que pode ser fatal.

De acordo com o The Guardian, a primeira-ministra britânica vai expor a situação aos líderes da União Europeia no jantar desta quinta-feira, à margem da cimeira que decorre em Bruxelas até sexta-feira. “O desafio da Rússia é uma questão que vai perdurar durante anos. Enquanto democracia europeia, o Reino Unido vai permanecer ombro com ombro com a União Europeia e  Nato para responder a este tipo de desafios e ameaças”, dirá a primeira-ministra, segundo aquele jornal britânico.

Esta semana o Reino Unido expulsou 23 diplomatas russos que acreditava serem espiões disfarçados. A questão é, agora, se os Estados-membros devem ou não seguir os mesmos passos que o Reino Unido como resposta ao ataque que decorreu em solo britânico contra o ex-espião russo. Uma fonte do governo britânico diz ao Guardian que, com o uso de arma química para matar um ex-espião, a Rússia “mostrou ser um inimigo estratégico, não um parceiro estratégico”, juntando isto a um padrão de comportamento que passa também por ataques informáticos em países como a Alemanha, a Dinamarca ou os EUA, ou por agressões na Síria e Ucrânia.

A questão é saber se a decisão britânica de expulsar os diplomatas russos não vai representar uma escalada nas já tensas relações diplomáticas entre os dois pólos — russo e europeu. Segundo a mesma fonte, Theresa May vai tentar sensibilizar os parceiros europeus para a gravidade do ataque em Salisbury, argumentando que o uso do agente nervoso foi uma “violação clara” da Convenção sobre a Proibição do Desenvolvimento, Produção, Armazenamento e Utilização das Armas Químicas e sobre a sua Destruição, e da lei internacional.

Segundo a imprensa britânica, o governo britânico não espera que os Estados-membros respondam com uma lista detalhada de medidas que vão levar a cabo, mas espera recetividade à estratégia. “É um processo gradual, vai levar tempo, é um desafio de longo prazo em que o encontro de amanhã é só uma primeira parte”, disse fonte de Downing Street ao Guardian.

Portugal diz que caso “envolve toda a União Europeia”

Esta segunda-feira, o ministro português dos Negócios Estrangeiros, em Bruxelas, deixou claro que a União Europeia tem de se envolver, e que o caso do envenenamento do ex-espião russo não é só uma matéria da Rússia com o Reino Unido: “É uma questão que envolve toda a União Europeia”.

Falando no final de uma reunião dos chefes de diplomacia da UE, na qual foi feito “um exame dos acontecimentos relacionados com o ataque perpetrado com armas químicas, o primeiro que ocorre na Europa depois do fim da II Guerra Mundial, e de que foram vítimas um antigo membro dos serviços de informações russo, que vive no Reino Unido, e a respetiva filha”, Augusto Santos Silva resumiu o teor da declaração conjunta dos 28. “Produzimos e publicámos uma declaração conjunta na qual exprimimos a nossa profunda solidariedade com o Reino Unido e na qual dizemos que levamos extremamente a sério as informações que nos são prestadas pelo Governo do Reino Unido, segundo as quais é altamente provável que haja responsabilidade russa nesse ataque”, apontou.

Para o chefe de diplomacia portuguesa, “esta manifestação de solidariedade com o Reino Unido e os termos em que ela é feita já são por si só a prova de que não se trata apenas de uma relação bilateral entre o Reino Unido e a Rússia, é uma questão que envolve toda a União Europeia”. As declarações de Santos Silva, no entanto, contrastaram com as declarações antes feitas pelo ministro alemão dos Negócios Estrangeiros. Heiko Mass tinha comentando que a Rússia era “um parceiro difícil”, mas consideraria que o caso do envenenamento do antigo espião russo em solo britânico era um assunto “bilateral”.

Não queremos ser todos iguais, pois não?

Maio de 2014, nasceu o Observador. Junho de 2019, nasceu a Rádio Observador.

Há cinco anos poucos acreditavam que era possível criar um novo jornal de qualidade em Portugal, ainda por cima só online. Foi possível. Agora chegou a vez da rádio, de novo construída em moldes que rompem com as rotinas e os hábitos estabelecidos.

Nestes anos o caminho do Observador foi feito sem compromissos. Nunca sacrificámos a procura do máximo rigor no nosso jornalismo, tal como nunca abdicámos de uma feroz independência, sem concessões. Ao mesmo tempo não fomos na onda – o Observador quis ser diferente dos outros órgãos de informação, porque não queremos ser todos iguais, nem pensar todos da mesma maneira, pois não?

Fizemos este caminho passo a passo, contando com os nossos leitores, que todos os meses são mais. E, desde há pouco mais de um ano, com os leitores que são também nossos assinantes. Cada novo passo que damos depende deles, pelo que não temos outra forma de o dizer – se é leitor do Observador, se gosta do Observador, se sente falta do Observador, se acha que o Observador é necessário para que mais ar fresco circule no espaço público da nossa democracia, então dê o pequeno passo de fazer uma assinatura.

Não custa nada – ou custa muito pouco. É só escolher a modalidade de assinaturas Premium que mais lhe convier.

Partilhe
Comente
Sugira
Proponha uma correção, sugira uma pista: rdinis@observador.pt

Só mais um passo

1
Registo
2
Pagamento
Sucesso

Detalhes da assinatura

Esta assinatura permite o acesso ilimitado a todos os artigos do Observador na Web e nas Apps. Os assinantes podem aceder aos artigos Premium utilizando até 3 dispositivos por utilizador.

Só mais um passo

1
Registo
2
Pagamento
Sucesso

Detalhes da assinatura

Esta assinatura permite o acesso ilimitado a todos os artigos do Observador na Web e nas Apps. Os assinantes podem aceder aos artigos Premium utilizando até 3 dispositivos por utilizador.

Só mais um passo

Confirme a sua conta

Para completar o seu registo, confirme a sua conta clicando no link do email que acabámos de lhe enviar. (Pode fechar esta janela.)