Donald Trump desencadeou mais uma escalada na guerra comercial entre os maiores blocos económicos mundiais. Desta vez, o alvo é a China, concretizando uma promessa antiga do Presidente americano. No mesmo dia, foi anunciada a suspensão da cobrança das novas taxas sobre o aço e o alumínio aos aliados dos Estados Unidos, medida que abrange a União Europeia.

Trump deu instruções ao responsável pelo comércio internacional dos Estados Unidos para avançar com tarifas aduaneiras sobre as importações de produtos chineses que podem ir até 60 milhões de dólares. Em causa quase 50 mil milhões de euros (48,8 mil milhões de euros), um valor comparável a todos os impostos que foram cobrados em Portugal no ano passado (47 mil milhões de euros).

O presidente já confirmou a medida que justificou desta forma:

“A palavra que quero usar é reciprocidade. Se eles nos cobram, nós também lhes cobramos o mesmo”

Donald Trump acusou ainda a China de “roubo de propriedade intelectual” ao exigir que as empresas transfiram tecnologia em troca de acesso ao mercado chinês.

A imprensa internacional já tinha antecipado que Trump iria assinar esta quinta-feira uma ordem executiva com instruções para aplicar novas taxas à China. Dentro de 15 dias, o Office of The U.S. Trade Representative, organismo que coordena as políticas comerciais de investimento dos Estados Unidos, deverá apresentar uma proposta com a lista de produtos que irão pagar taxas aduaneiras mais altas. De acordo com a informação disponível, o plano por aplicar taxas aduaneiras de 25%, até 60 mil milhões de dólares, sobre as importações anuais da China. Entre os bens visados estão robôs e comboios de alta velocidade.

Trump dará igualmente instruções ao secretário do Tesouro, Steven Mnuchin, para propor novas restrições ao investimento americano em companhias chinesas de forma a proteger as tecnologias que os Estados Unidos considera estratégicas. A informação foi avançada pelo conselheiro da Casa Branca, Everett Eissenstat.

Esta decisão está a ser vista como mais uma ofensiva americana que poderá incendiar ainda mais o conflito entre as grandes economias e até, admitem alguns analistas, minar a recuperação económica mundial dos últimos anos. A China já tinha ameaçado com retaliações que passam pela travagem da compra de produtos agrícolas americanos. Um receio que já alastrou aos mercados financeiros americanos. O Dow-Jones Industrial, principal índice americano fechou a perder quase 3% no dia em que foram conhecidas as decisões aduaneiras dos EUA. Também a generalidade dos mercados europeus fechou a perder.

A medida contra a China foi entretanto suavizada pelo anúncio de uma lista de isenções das novas taxas sobre o aço e o alumínio para os países aliados dos Estados Unidos. Nesta primeira fase, países como a Coreia do Sul, a Argentina, o Brasil e Austrália, bem como toda a União Europeia, não vão pagar as taxas, juntando-se assim aos principais parceiros comerciais americanos, o Canadá e o México.

Esta benesse americana surge um dia depois da Comissão Europeia ter proposto a criação de uma taxa de 3% sobre as vendas das grandes empresas da Internet na Europa que são quase todas americanas.