António Costa

Costa afasta Bloco Central e diz que não se demite se houver nova tragédia com incêndios

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Em entrevista à Visão, o primeiro-ministro afastou a hipótese de formação de um "Bloco Central" com o PSD na próxima legislatura, por considerar que esse tipo de solução é "negativa para a democracia"

AFP/Getty Images

O primeiro-ministro diz que, caso se repita um verão trágico como o de 2017 em matéria de incêndios, não se irá demitir. António Costa, em entrevista à revista Visão, afirma que, “quando há um problema“, a solução não passa pela demissão, mas por resolver o problema. E acrescenta: “É isso que temos feito e é isso que vamos continuar a fazer”. Na mesma entrevista, o primeiro-ministro deixa um aviso a Rui Rio de que é contra soluções governativas de Bloco Central, pois considera-as “negativas para a democracia, porque a empobrecem.”

Em relação à nova liderança dos sociais-democratas, António Costa considera que “está manifestamente a incomodar grande parte do PSD e da chamada direita inorgânica, aquilo que alguns costumam designar a direita do Observador“.

Na mesma entrevista, o primeiro-ministro não exclui à partida a ideia de apoiar Marcelo Rebelo de Sousa, mas lembra que “para já, para já, é preciso saber se o Presidente Marcelo Rebelo de Sousa é candidato presidencial. O próprio já disse publicamente que ainda não tomou uma posição sobre essa matéria.” Apesar de não descartar já esse apoio, destaca que “o PS sempre teve como tradição apoiar candidatos, não propor candidatos” e que, por isso, é “preciso ver quem são os candidatos”. “Aguardemos por ver quem são os candidatos em 2021. E depois o PS, seguramente, tomará uma decisão“, acrescentou o também secretário-geral do PS.

O primeiro-ministro também falou da eutanásia, dizendo que “a legislação não deve limitar a liberdade de opção individual”, embora confesse que o seu “arraigado otimismo”  o coloca com “dificuldades em aceitar a eutanásia como uma boa solução”.

No que diz respeito à regionalização, Costa diz que esta “mão é uma palavra tabu, mas não é uma palavra desta legislatura e não será, seguramente, da próxima legislatura”. O primeiro-ministro diz ainda que a “politização da justiça” é um “receio” que não está fundamentado e que é uma ideia que não é partilhada pela sociedade portuguesa. Interrogado sobre as pressões para uma eventual recondução da procuradora-geral da República, Joana Marques Vidal, o líder do executivo desdramatiza e aponta que “é da tradição o Governo não fazer propostas, nessa matéria, que o Presidente da República não possa aprovar”.

Sobre Angola, António Costa tenta desvalorizar a tensão, dizendo que “se algum Estado estrangeiro fosse levantado algum processo-crime contra o Presidente da República, contra o primeiro-ministro ou contra os deputados, provavelmente Portugal também diligenciaria para assegurar que as imunidades que gozam em Portugal” estavam a ser asseguradas.

O primeiro-ministro demarca-se ainda das acusações de que são alvo os dirigentes do Benfica. Questionado sobre se está preocupado, António Costa responde de forma evasiva: “Eu não. Eu não sou adepto do meu clube por causa dos dirigentes.” E ainda acrescenta: “Num Estado de Direito, ninguém, está acima da lei”.

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