A China agravou as taxas alfandegárias aplicadas a 120 produtos norte-americanos, incluindo porco congelado, em resposta ao aumento das taxas alfandegárias na importação (pelos EUA) de aço e alumínio, anunciado no mês passado pelo presidente Donald Trump.

O agravamento das taxas alfandegárias ascende, em alguns produtos, a 25%. Em causa estão 120 bens alimentares que representam cerca de três mil milhões de dólares exportados anualmente pelos EUA para a China. Fruta fresca e desidratada, bem como frutos secos e vinho, passam a pagar mais 15% em impostos na alfândega — ao passo que o porco congelado fica mais cara com a subida de 25% das taxas, com o “fim das concessões tarifárias” anunciado pelo Ministério do Comércio da China.

A intenção destas medidas é “salvaguardar os interesses do país e da indústria”, explica o governo chinês. As autoridades optaram, contudo, por não agravar as taxas em todos os produtos: a soja, muito importante para o comércio entre os dois países, ficou de fora, o que pode ser lido como um sinal de que a China quer evitar uma guerra comercial total com os EUA. “Sendo as duas maiores economias do mundo, a cooperação é a única opção correta”, afirmou o Ministério do Comércio.

Há cerca de duas semanas, Donald Trump deu instruções ao responsável pelo comércio internacional dos Estados Unidos para avançar com tarifas aduaneiras sobre as importações de produtos chineses que podem ir até 60 milhões de dólares. Em causa quase 50 mil milhões de euros (48,8 mil milhões de euros), um valor comparável a todos os impostos que foram cobrados em Portugal no ano passado (47 mil milhões de euros).

Donald Trump acusou ainda a China de “roubo de propriedade intelectual” ao exigir que as empresas transfiram tecnologia em troca de acesso ao mercado chinês.