Santana Lopes não foi ao Porto ao Conselho Nacional do PSD, mas voltou a pedir que sejam dadas condições a Rui Rio para explicar o projeto que o PSD país. Em comentário na SIC Notícias, em Lisboa, o adversário do presidente do PSD nas diretas elogiou a o facto do líder romper com a relação tradicional com a “corte de Lisboa”. Comparou Rio a Cavaco Silva e até fez referência a uma série da Netflix para elogiar a capacidade do portuense em descentralizar. “É visível no discurso de Rui Rio a vontade de se distanciar, um pouco ao estilo de Cavaco Silva, daquilo que é o modo tradicional de funcionar daquilo que ele chama da corte de Lisboa, da classe política, do sistema político”, afirmou Santana Lopes.

O antigo primeiro-ministro lembrou que “Portugal é um país pequeno em dimensão territorial, mas faz lembrar um pouco o discurso dos que vão para Washigton [e esquecem o resto do país] — aliás, hoje em dia há uma boa série da Netflix, o Designated Survivor — que aborda estas questões entre a capital e o resto do país.” Santana destaca como sinais dessa descentralização o facto de Rio “escolher um secretário-geral de longe de Lisboa, fazer um Conselho Nacional no Porto e ter feito uma das primeiras iniciativas em Arganil”. Ou seja: “Está a querer demonstrar que o país não é só Lisboa e ainda bem.”

Santana Lopes disse acreditar que a escolha de José Silvano como secretário-geral no Conselho Nacional — que decorria à mesma hora que o ex-provedor da Santa Casa da Misericórida de Lisboa falava –, iria ser uma escolha “consideravelmente” pacífica, embora “não unânime”. Ainda assim, também não significa que traga um período de grande acalmia e antecipava alguns críticos da direção na reunião do órgão máximo entre congressos: “Não é por ser ratificado um secretário-geral que as outras questões deixam de existir, as questões políticas, as diferenças. Julgo que é natural que no Conselho Nacional vários conselheiros ponham reservas (…) até quanto às dúvidas estratégicas. (…)”

O antigo presidente do PSD acredita, apesar de tudo, que “os próximos tempos vão ser mais serenos” e defende que é “importante que se dêem condições para Rui Rio” conseguir transmitir à sociedade portuguesa o que o PSD pretende para o país.

Quanto aos nomes do novo Conselho Estratégico Nacional, Santana espera que às “figuras já conhecidas” sejam também acrescentados outras pessoas menos conhecidas do grande público, tal como Rio anunciou num primeiro momento. “Os nomes avançados são as figuras já conhecidas. Faltam os outros, que eu espero que surjam. É importante mostrar capacidade de renovação”, afirma. Santana sugere ainda que Rio integre na sua equipa de conselheiros autarcas como o presidente da câmara de Braga, Ricardo Rio, “que não apoiou ninguém”, ou o presidente da câmara de Vila Nova de Famalicão, Paulo Cunha (que foi apoiante de Santana).

Santana falou ainda sobre o facto de António Tavares, um dos coordenadores escolhidos por Rui Rio para o Conselho Estratégico Nacional, ter promovido a entrada da Santa Casa da Misericórdia do Porto no Montepio. O antigo provedor da Santa Casa da Misericórdia de Lisboa desvaloriza o caso (“não acho que vá agitar o interior do partido”), mas admite que é uma “contradição” que Rui Rio tem de digerir. “Parece algo contraditório com o pensamento de Rui Rio e do líder parlamentar, mas também não acho. António Tavares é uma pessoa livre (…) Quem lidera tem de fazer uma digestão”.