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Um jogo para gravar e mais tarde recordar. Por várias razões (a crónica do V. Setúbal-Benfica)

V. Setúbal marcou primeiro, Benfica empatou antes do intervalo e segunda parte teve uma oportunidade flagrante para os sadinos. Depois, quiseram defender o ponto; com isso deram três às águias (1-2).

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Raúl Jiménez marcou a grande penalidade e foi festejar com os adeptos que compareceram em massa no Bonfim

AFP/Getty Images

Raúl Jiménez marcou a grande penalidade e foi festejar com os adeptos que compareceram em massa no Bonfim

AFP/Getty Images

Esta é a crónica de um jogo para gravar e mais tarde recordar. Por várias razões.

Apesar de alguns desposicionamentos nos corredores laterais, o V. Setúbal teve 80′ de grande nível em termos táticos, praticamente não concedeu oportunidades à equipa que mais facilidade tem para marcar golos na Liga e esteve até mais perto de chegar ao 2-1 antes de abdicar de um avançado (Edinho) e de um médio com capacidade de construção (Wallyson) para as entradas de um central (Pedro Pinto) e de um médio de contenção (Podstawski). Até aí, pelos condicionamentos disciplinares dos encarnados em vésperas de clássico na Luz, os sadinos tinham tudo para arriscar um pouco, naquela que seria a sua melhor forma de defender; a partir daí, o Benfica agarrou no jogo, colocou Jardel quase na área contrária, subiu as linhas e acabou por ganhar nos descontos de grande penalidade.

Um jogo para gravar e mais tarde recordar. Por várias razões (a crónica do V. Setúbal-Benfica)

Esta é a crónica de um jogo para gravar e mais tarde recordar. Por várias razões.

As coisas não correram de feição ao Benfica em Setúbal ainda antes do apito inicial, com queixas na região lombar de Jonas que o afastaram do aquecimento e promoveram a titularidade de Raúl Jiménez. E não ficaram por aqui: os encarnados sofreram um golo logo nos minutos iniciais, acabaram por empatar antes do intervalo sem conseguir ainda assim aquele futebol avassalador que conseguem colocar em campo nestes ambientes, tiveram sempre muito mais posse de bola sem acertar no que fazer com ela mas nunca deixaram de acreditar, chegando ao triunfo com um penálti do herói mais do que provável Raúl Jiménez que deixou Jonas aos pulos num camarote do Bonfim quando só mesmo os jogadores pareciam acreditar que era possível algo mais de um jogo pouco conseguido.

Ficha de jogo

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V. Setúbal-Benfica, 1-2

29.ª jornada da Primeira Liga

Estádio do Bonfim, em Setúbal

Árbitro: Luís Godinho (AF Évora)

V. Setúbal: Cristiano; Arnold, Yohan Tavares, Nuno Reis, Nuno Pinto (Luís Felipe, 89′); Semedo, Nenê Bonilha; Costinha, Wallyson (Tomás Podstawski, 87′); André Pereira e Edinho (Pedro Pinto, 81′)

Suplentes não utilizados: Trigueira, Pedrosa, Emrah e Allef

Treinador: José Couceiro

Benfica: Bruno Varela; André Almeida, Rúben Dias, Jardel, Grimaldo (Salvio, 77′); Fejsa, Pizzi, Zivkovic; Rafa (Seferovic, 66′), Cervi e Raúl Jiménez (Samaris, 90+5′)

Suplentes não utilizados: Svilar, Luisão, João Carvalho, Salvio e Diogo Gonçalves

Treinador: Rui Vitória

Golos: Costinha (3′) e Raúl Jiménez (28′ e 90+2′)

Ação disciplinar: cartão amarelo a Rúben Dias (21′), André Pereira (86′), Luís Felipe (90+1′) e Raúl Jiménez (90+2′)

Esta é a crónica de um jogo para gravar e mais tarde recordar. Por várias razões.

Se olharmos para o futebol naquela fatídica questão da justiça ou não dos resultados, a derrota foi um castigo demasiado duro para o V. Setúbal, que preparou da melhor forma a abordagem ao encontro (mérito de José Couceiro) e até teve a melhor oportunidade da segunda parte mesmo tendo muito menos bola do que o Benfica. Mas, em paralelo, também acaba por ser um prémio para uma equipa que não baixou os braços, nunca deixou de acreditar e acabou por ver um lance irrefletido de Luís Felipe, que tinha acabado de entrar antes de perder a frente para Salvio e cometer falta na área, premiar aquilo que muitas vezes se apelida de “estrelinha”. Tudo o resto são palavras, que podiam ser muitas, mas não chegavam a uma imagem: a forma como os jogadores celebraram o golo de Raúl Jiménez nos descontos diz tudo sobre a importância da conquista dos três pontos antes do clássico.

O Bonfim voltou a registar uma daquelas casas à antiga como se viam tantas vezes entre as décadas de 70 e 90 quando uma equipa grande se deslocava a Setúbal (a única diferença era a luz natural em vez de ser artificial, porque os jogos eram quase sempre à tarde) e provavelmente muitos adeptos gostavam de recuar a esse tempo para recuperarem uma daquelas regras que entretanto caíram do dicionário do futebol: se era dia de bola, era dia de colocar no bolso do casaco aquele mini rádio para ouvir o relato. E gostavam de recuar porque muitos ainda não estavam no interior do recinto quando Costinha, aproveitando uma boa jogada de envolvimento com cruzamento de Nuno Pinto da esquerda, rematou cruzado e quebrou a série de 441 minutos sem sofrer golos de Bruno Varela (3′).

André Almeida, num cruzamento que rondou a zona de golo na área dos vitorianos, e Cervi, com um remate ao lado, deram sinais de reação, mas não passaram disso mesmo: sinais. E sem confirmação. Os encarnados acusaram em demasia a entrada em falso na partida, num lance onde Grimaldo deixou Costinha nas suas costas para fazer o golo (curiosamente, com esse movimento interior, o espanhol tinha “tirado” duas oportunidades para o V. Guimarães na última jornada), e demonstraram grande dificuldade em assentar o seu jogo organizado. Tinham bola, muito bola (80%), mas não sabiam algumas vezes o que deviam fazer com ela. Já os sadinos, que nunca mais tinham rematado à baliza dos campeões, viam os minutos passar sem grande trabalho para o seu setor defensivo.

Cristiano fez a primeira intervenção apertada aos 26′, quando André Almeida cruzou da direita (e de pé esquerdo) ao segundo poste para o cabeceamento de Jardel. Logo no minuto seguinte, Zivkovic fez o movimento de dentro para fora, encontrou espaço para cruzar quase rasteiro e Cervi desviou a rasar o poste da baliza sadina. Não foi à primeira, não foi à segunda, foi mesmo à terceira: Rafa, que tinha estado apagado e meio trapalhão até esse momento, preferiu não ir no 1×1, tirou um cruzamento perfeito a passar pela zona entre guarda-redes e centrais (Nuno Reis não tentou sequer cortar para evitar um possível autogolo) e Raúl Jiménez, ao segundo poste, encostou facilmente para o 1-1, naquele que foi o seu primeiro golo como titular… sete meses depois.

Assistiu-se depois, sem que se tenha percebido a origem do problema, a cenas de violência nas bancadas, numa zona afeta a adeptos da casa e que levou à retirada de algumas crianças para outros locais. No meio da confusão, toda a gente que estava a ver e jogar ficou distraído com aquele filme, mas uns minutos depois os ânimos lá acalmaram para a ponta final até ao intervalo, que chegou com o Benfica a carregar pelos corredores laterais (era aí que os comandados de Rui Vitória ganhavam superioridade) mas sem presença na área para finalizar.

A segunda parte recuperou algumas características da ponta final da metade inicial, mas com a nuance de haver um V. Setúbal de novo mais organizado e disponível em termos físicos e a repetição de um Benfica que desequilibrava nos corredores laterais (através das típicas movimentações em triângulo que criam superioridade numérica) mas que não acertava no último passe, que às vezes ficava perto mas nunca sem a mira suficientemente afinada, como aconteceu numa bola que parecia dar golo após assistência de André Almeida para Raúl Jiménez.

Contas feitas, já íamos com mais de um quarto de hora e nem um remate para amostra. Finalmente, ele apareceu. E apareceu na forma de melhor oportunidade de todo o encontro: Nuno Pinto ganhou a linha com uma finta de classe sobre Grimaldo na direita do ataque (andava por aqueles terrenos porque antes tinha havido uma bola parada), cruzou atrasado para a zona de golo e Edinho, aquele mesmo avançado que apontou um póquer contra o Desp. Aves na última jornada e que consegue quase sempre fazer mossa ao Sporting, atirou sozinho por cima da trave (62′). E não foi o único a visar a baliza de Varela nessa fase, seguindo-se André Pereira e Wallyson, dois jovens cedidos por FC Porto e Sporting, respetivamente, que têm muito futebol nos pés e estão a crescer com Couceiro.

No entanto, as mexidas acabaram por recuar em demasia as linhas do V. Setúbal e, por consequência, permitir que as do Benfica subissem, jogando-se quase num só meio-campo com presença de mais jogadores na área sadina. Salvio, numa arrancada que nasce numa das raríssimas falhas defensivas dos vitorianos pelo corredor central, atirou por cima em boa posição, mas viria a ser determinante quando ganhou a frente a Luís Felipe (que fazia a estreia na Liga, depois de rescindir com o Benfica e assinar com os sadinos em janeiro, porque Nuno Pinto se lesionou e saiu de maca) e foi carregado pelo brasileiro, num lance apitado de imediato por Luís Godinho e que não parece ter trazido dúvida aos VAR, que não teve qualquer tipo de comunicação em contrário com o árbitro principal apesar dos protestos sadinos. Raúl Jiménez, o homem que nunca falhou o penálti, manteve a estatística. E agora nem precisa de celebrar com a máscara do lutador Sin Medo, como na final da Taça de Portugal: toda a gente sabe que é ele o herói mais do que provável nestes momentos.

Também para ele, esta é a crónica de um jogo para gravar e mais tarde recordar. Por várias razões.

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