Rádio Observador

Política

PS e CDS trocam piadas nas redes sociais. Cristas assume-se líder da oposição

307

Rato Mickey, fantasia, publicações apagadas e vitórias morais. Melo comparou o Congresso do PS ao mundo da Disney, o PS reagiu e agora Cristas reclama o lugar de líder da oposição.

JOÃO PORFÍRIO/OBSERVADOR

Autor
  • Miguel Santos Carrapatoso
Mais sobre

Mais uma sequela do filme de animação em que se transformou a relação entre democratas-cristãos e socialistas. Primeiro, foi Nuno Melo a sugerir que se sentia na Disneyland Paris em pleno Congresso do PS, tal o grau de “fantasia” que reinava por aquelas bandas. O PS não se ficou e respondeu na mesma moeda: se Melo se sentia na Disney, então umas virtuais orelhas de rato Mickey ficavam mesmo a matar. Esta quarta-feira, na resposta à resposta, Assunção Cristas decidiu reclamar a vitória moral e assumir-se como “líder da oposição”.

No Twitter, a líder do CDS partilhou a montagem feita pelos socialistas com a imagem de Nuno Melo e quis ver nessa reação o reconhecimento de que o PS a vê como principal challenger de António Costa. “Quando somos elevados ao humor pela mão dos nossos adversários consagramo-nos na liderança da oposição”, escreveu a democrata-cristã.

Não fica claro se Cristas está mesmo convencida disso ou se está a dar continuidade a esta troca de piadas entre PS e CDS — os emojis que usa para complementar o tweet dão para tudo: um braço a simbolizar força, e uma cara a chorar a rir.

Na véspera, os socialistas tinham usado a conta oficial do partido no Twitter para reagir com humor à provocação de Nuno Melo. O PS publicou uma montagem em que enfeitava o vice-presidente do CDS com umas orelhas virtuais de rato Mickey, sem dispensar o chapéu de mágico e mais alguns elementos do filme de animação “Fantasia”, um dos mais emblemáticos da Disney.

A publicação seria depois apagada sem explicação formal. Ao Observador, João Galamba explicou que se “tratou de um erro” de alguém que queria partilhar aquele conteúdo na sua conta pessoal e confundiu as duas contas. “Quando me apercebi do erro, mandei apagar”, resume o deputado socialista. Mas o post já seguia imparável nos corredores virtuais. A troca de galhardetes começa no domingo, ainda em plena sessão de encerramento do 22º Congresso do PS. No domingo, o eurodeputado usou o Facebook para dizer que se sentia “no Congresso do PS, com a mesma sensação de quem visita o pavilhão da fantasia da Disney em Paris”.

O sentido de humor (ou a falta dele, dependendo das diferentes sensibilidades) não foi compreendido por todos. Tiago Barbosa Ribeiro, deputado do PS, reagiu de imediato à provocação de Nuno Melo: “É com dirigentes deste partido, convidados para nossa casa por respeito institucional e democrático, que alguns camaradas meus acham exequível fazer entendimentos para ‘reformas estruturais’. Boa sorte…”, escreveu o socialista.

Nuno Melo acabaria por tentar acalmar os ânimos. Ao Observador, o eurodeputado explicou que a legenda por ele escrita correspondia a um comentário meramente metafórico. “Pobre de quem está em política e não consegue interpretar o que é óbvio”, sugeriu Melo. Resta saber se haverá um quarto filme.

Não queremos ser todos iguais, pois não?

Maio de 2014, nasceu o Observador. Junho de 2019, nasceu a Rádio Observador.

Há cinco anos poucos acreditavam que era possível criar um novo jornal de qualidade em Portugal, ainda por cima só online. Foi possível. Agora chegou a vez da rádio, de novo construída em moldes que rompem com as rotinas e os hábitos estabelecidos.

Nestes anos o caminho do Observador foi feito sem compromissos. Nunca sacrificámos a procura do máximo rigor no nosso jornalismo, tal como nunca abdicámos de uma feroz independência, sem concessões. Ao mesmo tempo não fomos na onda – o Observador quis ser diferente dos outros de órgãos de informação, porque não queremos ser todos iguais, nem pensar todos da mesma maneira, pois não?

Fizemos este caminho passo a passo, contando com os nossos leitores, que todos os meses são mais. E, desde há pouco mais de um ano, com os leitores que são também nossos assinantes. Cada novo passo que damos depende deles, pelo que não temos outra forma de o dizer – se é leitor do Observador, se gosta do Observador, se sente falta do Observador, se acha que o Observador é necessário para que mais ar fresco circule no espaço público da nossa democracia, então dê o pequeno passo de fazer uma assinatura.

Não custa nada – ou custa muito pouco. É só escolher a modalidade de assinaturas Premium que mais lhe convier.

Partilhe
Comente
Sugira
Proponha uma correção, sugira uma pista: observador@observador.pt
Política

Portugal: um país anestesiado

José Pinto

A um país anestesiado basta acenar com o Simplex, versão revisitada. Ninguém vai questionar. A anestesia é de efeito prolongado. O problema é se o país entra em coma.

Política

Bem-vindo Donald Trump, António Costa merece!

Gabriel Mithá Ribeiro

A direita em Portugal, e o PSD muito em particular, nunca foram capazes de afirmar um discurso sociológico autónomo. CDS-PP e PSD insistem em nem sequer o tentar, mesmo quando se aproximam eleições.

Só mais um passo

1
Registo
2
Pagamento
Sucesso

Detalhes da assinatura

Esta assinatura permite o acesso ilimitado a todos os artigos do Observador na Web e nas Apps. Os assinantes podem aceder aos artigos Premium utilizando até 3 dispositivos por utilizador.

Só mais um passo

1
Registo
2
Pagamento
Sucesso

Detalhes da assinatura

Esta assinatura permite o acesso ilimitado a todos os artigos do Observador na Web e nas Apps. Os assinantes podem aceder aos artigos Premium utilizando até 3 dispositivos por utilizador.

Só mais um passo

Confirme a sua conta

Para completar o seu registo, confirme a sua conta clicando no link do email que acabámos de lhe enviar. (Pode fechar esta janela.)