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A autoridade reguladora para proteção de dados britânica [Information Comissioner’s Office] sancionou o Facebook, na sequência do caso Cambridge Analytica, no valor máximo possível pelo Data Protection Act [a lei de proteção de dados do país], 500 mil libras (cerca de 565 mil euros). A coima foi aplicada à empresa que detém a maior rede social do mundo por, diz a autoridade, ter falhado em proteger os dados pessoais dos utilizadores e não ter sido transparente quanto à forma como os dados eram tratados.

Elizabeth Denham, presidente desta autoridade britânica, citada pelo The Guardian, afirma que o Facebook não cumpriu os requisitos necessários pela lei britânica para proteger os seus utilizadores.

As coimas e sanções punem quem não cumpre, mas o meu objetivo é criar mudança e restaurar a confiança e reabilidade no nosso sistema democrático”, disse a Elizabeth Denham sobre a coima de 500 mil libras aplicada ao Facebook.

Erin Egan, responsável pelos assuntos de proteção de dados pessoais do Facebook, afirmou ao mesmo meio que a empresa ainda vai responder à autoridade britânica. Contudo, assume, mais uma vez que a empresa podia ter feito mais: “Como já dissemos, podíamos ter feito mais para investigar as acusações sobre a Cambridge Analytica e ter feito mais em 2015”. A empresa tem trabalhado com esta entidades, e outras a nível internacional, na sequência do caso Cambridge Analytica.

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Quanto ao valor da coima poder ser pouco para uma empresa que, em 2017, teve mais de 34 mil milhões de euros em receitas, a presidente da autoridade afirmou: “Isto não é de todo pela multas… Qualquer empresa está preocupada com a sua reputação porque as pessoas querem sentir que os seus dados estão protegidos”.

Se os factos de 2014 e 2015 pelos quais o Facebook agora é sancionado tivessem acontecido atualmente, com o novo Regulamento sobre a Proteção de Dados (o RGDP), a empresa poderia ter de pagar 4% das receitas como sanção, e não cerca de meio milhão de euros.

A autoridade britânica iniciou a investigação que levou a esta sanção em 2017. Segundo a responsável, na sequência 11 partidos britânicos foram avisados que teriam dados comprometidos e que deveriam realizar auditorias para proteger dados pessoais.

Depois de, a 17 de março deste ano, o The Guardian, o The New York Times e o Channel 4 terem exposto o caso Cambridge Analytica, o Facebook revelou que a informação de 87 milhões de perfis foi recolhida pela empresa de análise de dados. O objetivo foi utilizar os dados para criar publicidade política específica para condicionar o resultado de eleições. Desde 2015, que o Facebook sabia que a Cambridge Analytica tinha recolhido e mantido indevidamente os dados que ajudaram a campanhas como a de eleição de Donald Trump e do referendo Brexit

A polémica acabou por levar Mark Zuckerberg, fundador e presidente executivo do Facebook, a prestar declarações ao Congresso Americano e a aceitar o convite do Parlamento Europeu para responder a perguntas do líderes dos partidos europeus, que exigiram a presença de Zuckerberg em Bruxelas.

A vinda de Zuckerberg ao Parlamento Europeu em 4 pontos

Vários representantes do Reino Unidos pediram também a presença do líder do Facebook para prestar declarações às autoridades e institutos britânicos. Contudo, até agora, foi ao país Mike Schroepfer, o diretor de tecnologia da empresa.