A empresa proprietária do hotel Mandalay Bay em Las Vegas, a partir do qual Stephen Paddock disparou sobre uma multidão que se encontrava num festival de música ‘country’, processou mil vítimas do ataque mais mortífero da história recente dos Estados Unidos. O tiroteio, que ocorreu em outubro do ano passado, fez 59 mortos — incluindo o atirador —  e mais de 500 feridos.

Segundo a CNN e o The Guardian, a MGM Resorts International apresentou duas ações judiciais contra as vítimas, uma no estado do Nevada e outra na Califórnia, argumentando que “não tem qualquer tipo de responsabilidade” para com as vítimas ou familiares das pessoas que morreram no tiroteio.

Estas ações surgem depois de vários processos terem sido intentados contra a empresa. Os visados nas ações judiciais ou já processaram a empresa — e entretanto desistiram das acusações — ou já ameaçaram processá-la.

A MGM Resorts apresenta como argumento uma lei de 2002, que surgiu no seguimento do atentado de 11 de setembro de 2001 e que limita a responsabilidade de uma empresa ou grupo se, na altura de um tiroteio, estava a usufruir de serviços de uma empresa certificada pelo Departamento de Segurança Interna dos Estados Unidos. A 1 de outubro de 2017, data do ataque, a MGM Resorts tinha contrato com a empresa de segurança Contemporary Services Corporation (CSC), que estava certificada pelo Departamento de Segurança Interna.

“Se os visados [nos processos] foram feridos pelo ataque de Paddock, como alegam, ficaram feridos não só porque Paddock disparou da sua janela mas também porque permaneceram na linha de fogo durante o concerto. Tais acusações implicam inevitavelmente a segurança durante o concerto — e pode resultar numa perda para a CSC”, lê-se num comunicado da MGM Rsorts.

A empresa proprietária do Mandalay Bay explica que não está à procura de qualquer compensação a nível financeiro, mas pede aos tribunais proteção relativamente aos processos levantados contra a empresa. E considera mesmo que estas ações têm como objetivo beneficiar as vítimas e ajudá-las a recuperar do ataque.

“Anos de litígio e audiências não são do melhor interesse das vítimas, da comunidade e daqueles que ainda estão a recuperar”, afirmou Debra DeShong, porta-voz da MGM Resorts.

As vítimas, contudo, não veem com bons olhos estas ações judiciais. “Vemos isto como um tática de bullying para intimidar os sobreviventes que estão, legitimamente, a procurar uma mudança a nível social através de um processo litigioso”, afirmou o advogado Brian Claypool que não só estava no festival durante o tiroteio como representa várias vítimas.