A família de Mohamed Morsi e organizações não governamentais denunciam que as condições em que se encontra o antigo presidente egípcio podem ser consideradas tortura e estão a causar-lhe uma morte lenta, conforme deixaram claro num comunicado publicado na página do Instituto do Cairo para o Estudo dos Direitos Humanos (CIHRS, na sigla em inglês).

“Segundo as convenções internacionais, negar cuidados médicos a um preso de forma intencional constitui um acto de tortura”, comentou Mohamed Zaree, diretor do CIHRS, citado pelo El País, que descreve toda esta situação como uma vingança contra o ex-presidente. O Instituto do Cairo para o Estudo dos Direitos Humanos denuncia que Mohamed Morsi não está a receber o tratamento adequado para a diabetes e que isso já lhe causou problemas no olho esquerdo. Além disso, por dormir no chão frio sem direito a colchão há quatro anos, o antigo líder sofre de reumatismo na coluna dorsal.

A lista de violações aos direitos de Morsi continua: regime de isolamento, proibição de ouvir a sentença do seu julgamento, dificuldade em contactar a família — só os viu duas vezes em quatro anos e apenas por meia hora — e impedimento de falar com o advogado em privado.

O filho mais novo, Abdalá Morsi, só pede que o governo cumpra a lei e que permita que o pai possa ser visto por um médico e possa ter o Corão na cela. Já as organizações não governamentais defendem que Morsi, detido depois de um golpe militar em julho de 2013, tenha direito a um novo julgamento.

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Mohamed Morsi não é caso único. O CIHRS estima que 650 pessoas tenham morrido nas prisões egípcias desde meados de 2013, depois do golpe militar, por tortura, falta de acesso a cuidados médicos ou a maus tratos. No entanto, o tratamento dado a Morsi, de 66 anos, e outros presos políticos é consideravelmente diferente daquele a que foi sujeito Hosni Mubarak. Agora com 90 anos, o ditador egípcio foi mandado para um hospital, depois de absolvido de um crime para o qual, inicialmente, tinha recebido condenação a prisão perpétua: a morte de 239 manifestantes nos protestos que o derrubaram em 2011.

A família de Mohamed Morsi também é alvo de perseguição, denunciou o jornal El País. Ahmed Morsi, o filho mais velho, é cirurgião e há cinco anos que não consegue fazer uma operação; Osama Morsi, o filho do meio, está preso desde 2016; e Abdalá Morsi, o filho mais novo, não consegue encontrar emprego desde que se formou numa prestigiada universidade. Além disso, toda a família Morsi está impedida de sair do país. Uma proibição que se estende também a Mohamed Zaree e outros ativistas dos direitos humanos.