O CDS vai chamar ao Parlamento o ministro do Planeamento e das Infraestruturas, Pedro Marques, ao Parlamento. Motivo? O mau estado da ferrovia em Portugal. “Demos oportunidade ao Governo para se explicar, e não só não se explicou como desvalorizou, o que significa que não tem andado como nós de comboio de arte a sul do país”quilo. Assim, o partido vai “exigir que o Governo vá ao Parlamento tão cedo quanto possível” para prestar esclarecimentos. “Vamos fazer esse pedido de forma insistente de modo a que a Comissão Permanente se reúna com a presença do sr. ministro”, adiantou ainda.

O requerimento vai ser apresentado ainda esta terça-feira pelo partido, que vai esperar pela decisão da AR para o agendamento da reunião. O CDS quer ouvir Pedro Marques o mais rapidamente possível mas respeitará todos os trâmites que lhe venham a ser impostos. Cristas não sabe se terá de haver “uma conferência de líderes para marcar a reunião”, mas mostra-se disponível para qualquer solução que permita aos deputados interrogarem o governante.

Assunção Cristas anunciou a decisão aos jornalistas em Coimbra depois de uma viagem de mais de três horas na linha do Oeste que começou nas Caldas da Rainha. À semelhança da líder centrista, vários dirigentes do partido viajaram hoje nos comboios da CP um pouco por todo o país numa ação simbólica que tinha como objetivo denunciar o “mau estado em que se encontra a ferrovia”, explicou ainda a também deputada.

O Governo não tem dado resposta às solicitações do CDS, há um caos na ferrovia neste momento e um desinvestimento que não tem precedentes”, acusa Cristas.

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Assim, e porque entende que as denúncias que o partido foi fazendo ao Governo para que fosse dada a devida atenção a este tema foram ignoradas por António Costa, os centristas decidiram chamar ao Parlamento o ministro da tutela.

Nesta terça-feira, o CDS dedicou o dia à ferrovia e apontou o dedo ao Executivo pelas falhas existentes. Desde a supressão de comboios, ao incumprimento de horários – o comboio que levou Cristas das Caldas da Rainha até Coimbra-B saiu com um atraso de mais de dez minutos -, passando pela degradação das automotoras, a líder centrista apresentou um rol de queixas que não têm solução à vista. A presidente do partido não tem dúvidas de que há um responsável máximo pela situação que denuncia: o Executivo socialista – ou “as esquerdas unidas”, um termo muito utilizado pelos centristas para denominar a geringonça.

Nuno Melo vai mais longe nas críticas apontando que “não é normal vivermos em cima de dogmas estatizantes através de um governo que está sequestrado pela extrema esquerda e que sabe que não tem recursos para fazer nada. O eurodeputado afirma mesmo que a CP “teve melhores dias” com o CDS no “governo do que com o Dr. António Costa, que por acaso perdeu eleições e diz que o país está muito melhor.”

Sobre as concessões a privados, o candidato do CDS às próximas eleições europeias volta a falar do exemplo dos estaleiros de Viana do Castelo:

Até há bem pouco tempo, no tempo do governo de coligação, dizia-se que os estaleiros iam encerrar porque foram concessionados a privados. Até o presidente da Câmara, que era socialista, colocou lá coroas de flores em sinal de finados, dizendo que seria uma tragédia. Ora o que acontece é que hoje os estaleiros são bem geridos, depois de concessionados pelo anterior governo. Têm muitas encomendas. E até a própria mulher do Dr. António Costa será madrinha de uma das novas embarcações, veja lá a ironia.”

Apesar de reconhecer que a degradação da ferrovia em Portugal se deve a problemas de longa data, Assunção Cristas lava as suas mãos e as do anterior Executivo. “O Governo pode querer culpar o anterior mas o que é certo é que está há três anos em funções e teve tempo para recuperar investimento – algo que o Governo anterior não pode fazer porque apanhou um país falido pelo PS”, explica.

No entanto, existe uma figura do CDS com especial relevância na história recente da CP. O ex-deputado centrista Manuel Quieró esteve à frente da empresa entre 2013 e 2017. Questionada sobre se não havia também uma quota parte de responsabilidade que podia ser imputada ao ex-parlamentar, Cristas reagiu de forma seca: “Se vir com atenção os relatórios que a CP fez encontrará a sua resposta”. “A CP faz aquilo que o Governo deixa fazer”, concluiu.

Pouco antes, já Nuno Melo se tinha referido à prestação do ex-gestor como “genericamente boa”, lamentando contudo que algumas das medidas que estavam previstas tivessem sido revertidas. Sublinhou ainda que o muito do tempo da gestão do engenheiro Manuel Queiró aconteceu durante este governo, “o engenheiro Manuel Queiró assumiu funções até há bem pouco tempo e o Dr. António Costa está no governo desde 2015.”

A terminar, o eurodeputado centrista deixou um repto “ao Dr. António Costa, que está em banhos algures no Algarve”, aos ministros e a quem tutela diretamente esta área: “ proponham-se a viajar de comboio vivendo o que vive cada uma das pessoas que é obrigada a suportar carruagens com o ar condicionado avariado, ou com comboios que são cancelados sem pré-aviso. E cada vez que propagandeie com publicidade enganosa que o país está melhor, lembre-se disso.”

Já no início do mês o partido tinha promovido uma iniciativa semelhante na linha de Cascais, na qual participaram Assunção Cristas, Nuno Melo e Pedro Mota Soares, entre outros dirigentes do CDS.