A Fever é uma app para smartphones que promete disponibilizar “as melhores experiências” em cidades como Nova Iorque, Londres ou Paris, e que tem investidores como o músico Alejandro Sanz, o futebolista Sérgio Ramos e Bernardo Hernandez, antigo presidente executivo do Flickr. A partir desta quarta-feira, a aplicação quer garantir que, durante todos os dias da semana, há programação na capital para lisboetas e turistas. As sugestões vão passar por experiências como jogos de futebol, festas e concertos. Qual é a inovação? É que na Fever, além das recomendações, também é possível comprar entradas “com apenas três toques”.

O objetivo é tornar a app “numa referência do entretenimento na cidade”, conta ao Observador Gil Belford, responsável pela Fever Portugal. “Lisboa está na nossa mira há bastante tempo”, assume o diretor da app que está disponível em 13 cidades. Para o antigo vice presidente de crescimento global da Zomato, a grande vantagem da app não é só a de permitir que os utilizadores comprem bilhetes para eventos pelo smartphone, é também a capacidade de recomendação do algoritmo. Segundo Belford, este recomenda sugestões aos utilizadores “da mesma forma que o Netflix recomenda séries”.

A Netflix, mais do que ninguém, tem uma absurdidade de dados dos utilizadores. Eles sabem que séries são vistas e como são vistas. Estes dados pintam um quadro claro [do utilizador]. A Fever faz o mesmo, e da mesma forma, [aprendendo] sempre que alguém clica ou recomenda um evento”, explica Gil Belford.

Numa altura em que tanto se fala de RGPD (regulamento geral sobre a proteção de dados) e que o tema gera cada vez mais cautela, o responsável faz uma garantia: “É sempre tudo analisado por máquinas”. No final, o que resta são “as melhores recomendações”, explica.

O resultado tem mostrado sucesso. A aplicação que tem como presidente executivo Ignacio Bachiller já levou a que mais de 12 milhões de pessoas utilizem a app em cidades como Londres, Nova Iorque, Paris ou Madrid. Em junho, arrecadou cerca de 17 milhões de euros numa última ronda de investimento, que contou com a Atresmedia, a empresa que produziu a série “A Casa de Papel”, e com fundos portugueses, como a Caixa Capital e a Portugal Ventures.

Mas, como funciona esta app? Quando se liga a aplicação, aparecem as cidades disponíveis e o utilizador escolhe a que lhe interessa. Depois, aparecem os interesses genéricos, como “Moda”, “Brunch”, “Comédia”, “Festa” ou “Gay”. Uma das características que distingue a Fever é que, além de promover os eventos das empresas com as quais está associada, a empresa também organiza os seus próprios eventos — “tal como a Netflix produz séries”.

Para o arranque lisboeta, a Fever preparou um speed dating Gay para 11 de setembro. Antes, no dia 4, a empresa organiza um “Fever original”, um concerto acústico para promover a entrada da app na cidade.

As sugestões de programação vão de experiências gratuitas a eventos mais caros, como passeios turísticos ou concertos. No caso de um jogo de futebol, (a Fever já tem uma parceria com o Sporting Clube de Portugal), basta comprar o bilhete na aplicação e, depois, mostrar o smartphone à entrada do estádio.

Com a expansão para Portugal, o que a Fever quer é continuar a missão de ser a aplicação de referência para eventos. “A primeira coisa que faço ao chegar a uma cidade para me deslocar é sacar, por exemplo, do Uber ou do Cabify. O objetivo é fazer da Fever o mesmo para eventos“, conta o responsável empresa. Mesmo assim, o principal público “é o local”, mesmo que já more na cidade “há 30 anos”.

Para garantir que as experiências, mesmo para residentes, são as mais apropriadas (e garantir um vasto leque de ofertas) em Portugal, a Fever arranca “para já” com uma equipa de 10 pessoas. Segundo Gil Belford, que desde junho prepara o lançamento em Portugal, este foi, entre todas as cidades, “o mais rápido” e acredita que a equipa rapidamente vai expandir.

*Notícia atualizada às 13h30 de dia 29 de agosto. Onde se lia “a aplicação criada pelo espanhol Pep Gomez”, foi alterado para “a aplicação que tem como presidente executivo Ignacio Bachiller” devido a Pep Gomez já não estar envolvido com o projeto.