O número de mortos provocados pelo furacão Florence, que está a devastar a costa leste dos Estados Unidos da América, continua a aumentar. O xerife de Duplin County anunciou este sábado a morte de mais três pessoas na Carolina do Norte, elevando o número de vítimas para nove. O US Today e outros órgãos de comunicação falam em 11 mortos. As autoridades acreditam que o número de mortos vai aumentar à medida que a tempestade tropical avança pela costa norte-americana em direção à Carolina do Sul.

Segundo o gabinete do xerife de Duplin County, as duas últimas vítimas registadas morreram durante a madrugada de sábado devido às “inundações repentinas” e a lençóis de água na estrada. “Todos os cidadãos foram alertados para os perigos associados à tempestade, os serviços de emergência podem não estar disponíveis imediatamente”, alertou, citado pela CNN. Foi decretado o recolher obrigatório  entre as 19h e as 7h locais.

De acordo com o The Guardian, foi confirmada a primeira vítima mortal no estado da Carolina do Sul: uma mulher de Union County, de 61 anos, que morreu depois de uma árvore ter caído em cima do seu carro.  As restantes vítimas eram residentes da Carolina do Norte. Entre estas contam-se uma mulher e o seu bebé, que morreram também devido à queda de uma árvore. Uma outra pessoa terá morrido quando tentava ligar um gerador.

Florence desloca-se em direção à Carolina do Sul a 3 km/h

O Florence atingiu a costa dos Estados Unidos na sexta-feira. O olho do furacão entrou no território norte-americano a partir da praia de Wrightsville, na cidade portuária de Wilmington, na Carolina do Norte, às 7h15, hora local (12h15 em Lisboa), com rajadas de vento de 145 quilómetros por hora.

O furacão, que tem vindo a perder intensidade nas últimas horas, está a mover-se lentamente (três quilómetros por hora) em direção à Carolina do Sul, deixando atrás de si um rasto de chuvas fortes, inundações, ameaça de tornados e um apagão de eletricidade que já afetou cerca de um milhão de habitações. A Reuters fala em 752 mil casas e negócios sem luz elétrica na Carolina do Norte e em 119 mil no estado vizinho do sul.

Donald Trump declarou o estado de desastre (calamidade pública) e anunciou ajuda financeira para os condados de Beaufort, Brunswick, Carteret, Craven, New Hanover, Onslow, Pamlico e Pender. O presidente vai visitar as zonas mais prejudicadas pela passagem do Florence durante a próxima semana.

Carolina do Norte espera inundações nunca antes vistas

Apesar de o furacão ter perdido intensidade e de ser agora considerado uma tempestade tropical, o pior ainda está para vir. Roy Copper, governador da Carolina do Norte, alertou, numa conferência de imprensa este sábado, que o perigo de cheias é muito elevado e que “áreas que nunca ficaram inundadas podem ficar agora”.

“O perigo de inundações é muito maior do que quando a tempestade aterrou há 24 horas. Esperamos paredes de água. Existem mais pessoas em perigo do que quando a tempestade estava no mar“, disse o governador, pedindo aos cidadãos que evitem “complacência” e se mantenham atentos ao subida do nível das águas. Qualquer distração poderá ser fatal. “Apesar da tempestade ter perdido força, as chuvas vão ser épicas”, afirmou, citado pelo The Guardian.

O Departamento de Transportes da Carolina do Norte — avisando que, nos próximos dias, as condições na estrada vão piorar drasticamente — garantiu que praticamente todo o estado vai sofrer inundações. Segundo um gráfico divulgado pelo meteorologista Tim Buckley, domingo será o pior dia:

Prejuízos podem ascender aos 20 mil milhões de dólares. Em New Bern há 4.200 casas destruídas

Os prejuízos provocados pelo Florence na Carolina do Norte e Sul e Virginia podem ascender aos 20 mil milhões de dólares (cerca de 17 mil milhões de euros), segundo as estimativas das seguradoras norte-americanas. De acordo com a Reuters, há mais de 758 mil casas em risco nos três estados.

Em New Bern, localidade da Carolina do Norte onde os rios Neuse e Trent se intersetam, há pelo menos 4.200 casas e 300 negócios destruídos, de acordo com uma primeira contagem. Muitos habitantes decidiram permanecer nas suas habitações apesar dos avisos das autoridades, que tiveram de resgatar 200 pessoas, segundo o presidente da câmara Dana Outlaw. Há ainda 150 pessoas, que ficaram presas nos segundos andares das suas casas ou em sótãos, a precisarem de ajuda.

“O que acontece é que vamos resgatar pessoas e depois descobrimos que há mais a precisar de ajuda. Os habitantes de New Bern já enfrentaram furacões antes, mas há muito tempo que não assistimos a uma coisa como esta”, disse Dana Outlaw ao US Today.