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O deputado socialista João Galamba será o secretário de Estado da Energia, pasta que agora passou para a tutela do Ambiente. Galamba é vice-presidente da banca parlamentar do PS e já foi porta-voz dos socialistas. É colocado na ala mais à esquerda do partido e a escolha poderá ser uma forma de responder aos que olham para a saída de Jorge Seguro Sanches da Energia como uma decisão para acalmar as grandes empresas de energia, em particular a EDP. O Observador apurou também que o secretário de Estado da Defesa Marcos Perestrello não será reconduzido.

Governo muda pasta da energia no meio de guerras e negociações com a EDP

O Observador tentou contactar João Galamba, mas não foi possível até ao momento da publicação deste artigo. A SIC Notícias avançou que Galamba seria o sucessor de Seguro Sanches na Energia, informação que foi confirmada pelo Observador, que apurou também que Marcos Perestrello vai voltar ao Parlamento para ocupar o cargo de deputado para o qual foi eleito em 2015. Esta informação foi, entretanto, confirmada pelo próprio.

O mesmo vai acontecer com o ex-ministro da Economia Manuel Caldeira Cabral que nas legislativas foi eleito deputado pelo círculo de Braga. Era então o cabeça de lista do PS pelo distrito, mas como candidato independente. Caldeira Cabral foi para o Governo depois de ter colaborado na elaboração do Programa de Governo de António Costa, tal como anteriormente já tinha estado ao lado de António José Seguro, antigo líder socialista, como seu conselheiro  em matérias relativas ao Quadro Comunitário de Apoio e os fundos comunitários.

João Galamba é economista e entrou no Parlamento durante o Governo liderado por José Sócrates. Nas suas intervenções, no parlamento, media e redes sociais, destacou-se nos temas ligados às finanças públicas e à banca. Participou na comissão parlamentar de inquérito ao Banco Espírito Santo, na equipa dos socialistas que era coordenada por Pedro Nuno Santos ainda durante o Governo do PSD/CDS. Galamba é visto como próximo do atual secretário de Estado dos Assuntos Parlamentares, mas acabou por não ser chamado para o Governo. Permaneceu no Parlamento onde foi coordenador do grupo parlamentar na comissão de inquérito à resolução do Banif e participou na comissão de inquérito à recapitalização da Caixa. Deixou de ser porta-voz do PS em maio deste ano, depois de abandonar a comissão política permanente do partido.

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Era um dos vice-presidentes da bancada socialista e coube-lhe defender, no último debate quinzenal, a escolha do também deputado Carlos Pereira para a administração da ERSE (Entidade Reguladora dos Serviços Energéticos), uma opção da anterior equipa da Economia/Energia que foi atacada pela oposição à direta.

Com um perfil mediático e um discurso que não foge à polémica, a indicação de João Galamba para uma pasta especializada que atravessa uma fase muito sensível no que diz respeita às relações com a maior empresa do setor, a EDP, está a ser vista como uma forma de mitigar suspeitas sobre as motivos que levaram ao afastamento de Seguro Sanches da secretária de Estado da Energia.