FESAP

Orçamento. Aumentos na Função Pública “são como a história do frango”, diz Frente Sindical

António Costa reuniu a Comissão Política Nacional do PS na sede do partido para falar sobre as contas para 2019. Num encontro "pacífico", os sindicatos foram a nota dissonante.

MIGUEL A. LOPES/LUSA

Foi a voz dissonante numa reunião da Comissão Política Nacional do PS que serviu para António Costa apresentar o Orçamento do Estado para 2019 ao partido e que não teve abalos de maior para o secretário-geral do PS. Mas no final do encontro, o secretário-geral da Federação dos Sindicatos da Administração Pública (FESAP) acusou o Governo de “manipular a opinião pública” ao insistir na ideia de que os aumentos salariais na Função Pública vão ser para todos.

À saída do Largo do Rato, já perto da meia noite e depois de pouco mais de duas horas de discussão, José Abraão recorreu à metáfora para passar a sua mensagem. “O que não é compreensível é este tipo de intervenção política” do Governo, ao “dizer que há 800 milhões de euros” disponíveis no Orçamento do Estado para 2019 para abarcar aumentos salariais e progressões nas carreiras.

Dá a ideia de que somos todos muitos despesistas enquanto funcionários da Administração Pública e isto, repartido por todos, não faz sentido nenhum porque as médias são como história do frango: há um que come a asa e há dois que comem o resto, mas há um que continua com fome”, ilustra José Abrão

Abraão recorda a intervenção do ministro das Finanças na conferência de imprensa desta terça-feira e contesta a ideia de que os aumentos de 3% contemplem todos os trabalhadores do Estado e que, no conjunto dos anos de 2018 e 2019, estes profissionais terão aumentos médios de 121 euros. “O que acontece é que a esmagadora maioria dos trabalhadores não tem esse benefício”, garante. “Estamos a falar do período mais longo da democracia sem aumentos salariais”, assinalou, para acrescentar que “há milhares de trabalhadores da Administração Pública que não vão ter descongelamento de carreiras e que no próximo ano vão manter os seus salários”.

“Não se pode deixar ninguém para trás”, defendeu José Abraão. O sindicalista do PS não esclareceu quão expressivo foi o apoio dos socialistas que estiveram na reunião às reivindicações, optando por repetir a ideia de que, “depois do período mais longo de congelamento dos salários” no setor público, “a expectativa dos trabalhadores era a de que não se procurasse manipular a opinião pública virando trabalhadores contra trabalhadores, antes pelo contrário, que houvesse um sinal que pudesse dizer que tínhamos virado a página [da austeridade] para todos”.

Questionado sobre a resposta de António Costa à posição expressa pelo representante dos sindicatos, e depois de lançar a questão (em jeito de provocação) sobre a vida que possa haver para além do défice, José Abraão cita o secretário-geral do PS dizendo que “há mais orçamento para além do orçamento de 2019”. Uma posição que parece empurrar para lá das próximas eleições uma solução para as reivindicações salariais dos sindicatos.

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