Marcelo Rebelo de Sousa discursou este domingo na cerimónia evocativa dos 100 anos do armistício da I Guerra Mundial, na Avenida da Liberdade, em Lisboa. O Presidente da República e Comandante Supremo das Forças Armadas depositou uma coroa de flores junto ao monumento de homenagem aos militares durante o momento que lembrou os mais de 7 mil portugueses que morreram no conflito. Numa declaração breve e de elogio às Forças Armadas e às Forças de Segurança, Marcelo recordou os “111 mil que se bateram por terra, pelo mar e pelo ar e todos quantos puderam, há um século, celebrar o dia da vitória da paz”.

“Esses heróis lutaram pela compreensão contra o ódio, pela liberdade, contra a opressão, pela justiça, contra a iniquidade, pela Europa aberta contra a Europa fechada, o mundo solidário contra o mundo dos egoísmos, das xenofobias, das exclusões. Não toleraremos que se repita a sangrenta divisão da Europa. Não toleraremos que se repita perder-se a paz, ganha com tantas mortes às mãos de aventureiros criadores de novas guerras, não toleraremos que se repita o uso das Forças Armadas ao serviço de interesses, pessoas, grupos ou de jogos de poder, enquanto soldados se batiam pela Pátria e pela Humanidade”, acrescentou o Presidente da República.

Marcelo recordou ainda várias histórias particulares de militares portugueses – “das trincheiras de França, ao Atlântico ou nos desertos de Angola e Moçambique” – e acabou por inclui-las de uma forma geral “na pessoa do soldado Milhões”. “Hoje mais do que nunca queremos afirmar os valores que nos identificam como Nação e na relação fraterna com nações aliadas e amigas aqui representadas: o primeiro dos quais é a dignidade da pessoa humana”, afirmou o Presidente da República, lembrando os representantes das Forças Armadas da Alemanha, Estados Unidos, França e Reino Unido que estão este domingo presentes na cerimónia.

Naquele que terá sido o parágrafo mais duro de um discurso institucional e com poucas surpresas, Marcelo Rebelo de Sousa falou diretamente para as Forças Armadas e deixou um recado. “Hoje mais do que nunca queremos celebrar as nossas Forças Armadas. Sem vós, não há liberdade nem segurança nem democracia nem paz que possam vigorar. Quem dentro ou fora de vós isto não entender, não entendeu nada do passado, do presente nem do futuro de Portugal”, atirou o Presidente da República.

Marcelo Rebelo de Sousa, que sublinhou ainda “a indelével gratidão” que Portugal tem para com as Forças Armadas, anunciou a condecoração dos três ramos das Forças Armadas que combateram na I Grande Guerra com a Ordem Militar da Torre e Espada do Valor, Lealdade e Mérito.